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A participação da gordura animal no biodiesel


BiodieselBR.com - 17 mar 2011 - 11:08 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16
O Brasil usa cada vez mais gorduras de boi, frango e porco na produção de biodiesel, mas crescimento não acompanha o ritmo da produção de biodiesel

Desde o lançamento do PNPB, o sebo bovino tem se mantido na segunda colocação entre as fontes mais importantes de matéria-prima para a indústria de biodiesel – perdendo apenas para o óleo de soja. Contudo, de 2009 para 2010, a participação do sebo apresentou uma queda expressiva indo de 16,57% para 13,83%. No entanto com o crescimento da produção do biocombustível, o volume de gordura animal utilizada aumentou consideravelmente.

Outras gorduras de origem animal aumentaram sua participação no mercado durante o mesmo período – a gordura de porco subiu de 0,04% para 0,77% e a de frango foi de 0,03% para 0,04%. No resultado final do ano, as gorduras animais ficaram com uma fatia 14,68% do volume de produção de biodiesel, dois pontos percentuais a menos que em 2009.

Considerando que as usinas produziram um total de 2,35 bilhões de litros em 2010, as gorduras animais representaram cerca de 344 milhões de litros de biodiesel: 325 de sebo bovino, 18,1 de gordura suína e 0,94 de frango. Em termos absolutos, isso representa um aumento significativo sobre os 259 milhões de litros produzidos a partir de fontes animais em 2009.

Há espaço para mais crescimento nessa área de acordo com dados da Scot Consultoria, empresa dedicada ao acompanhamento de informações do agronegócio. O Brasil tem um rebanho bovino estimado em 205 milhões de cabeças e abateu cerca de 41,2 milhões em 2010. Segundo o consultor da Scot, Hyberville Neto, cada animal rende, em média 18 quilos de sebo o que coloca a produção de sebo bovino do Brasil em 741,6 mil toneladas.

Considerando que cada 1,05 kg de sebo pode virar um litro de biocombustível, então a indústria de biodiesel consumiu o equivalente a 341,2 mil toneladas de sebo, o que dá perto de 46% dos animais abatidos no país. O que impede o crescimento dessa fonte é, além da dificuldade maior em trabalhar com gorduras animais, é o preço dessa gordura. Hyberville diz que o quilo do sebo bovino está sendo vendido na faixa de R$ 2,00 no mercado do Brasil Central – área que abrange os estados do Mato Grosso do Sul, Goiás e parte de São Paulo – mais caro do que materiais considerados mais nobres como, por exemplo, o couro.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com