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[23º leilão] Mais usinas opinam sobre as novas regras


BiodieselBR.com - 19 ago 2011 - 07:25 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:17

Confira abaixo a opinião de mais usinas sobre a introdução das regras que alteraram o comércio de biodiesel no Brasil:

“Nós entendemos que isso vai ser positivo para o negócio de uma maneira geral. Pela primeira vez o leilão privilegia a racionalidade do sistema como um todo. Da forma como os leilões estavam estruturados, tanto fazia você ter uma usina em São Paulo ou em Fernando de Noronha que você competiria do mesmo jeito. O sistema anterior privilegiava as usinas que estivessem perto do óleo.

Ainda não é o sistema ideal. Por causa das distâncias médias que eles [a ANP] forma obrigados a fazer para calcular os FALs, é claro que iam aparecer distorções, o ideal é que fosse calculado ponto a ponto, mas isso seria complicado demais para o sistema de leilões. O importante é que esse é um primeiro passo robusto para que, no final da história, o mercado esteja maduro o suficiente para não precisar mais dos leilões e as vendas sejam CIF. Mas leva um tempo para tirar essas amarras do sistema e todos teremos que nos adaptar. Se esse leilão vai ser bom ou não para a Brasil Ecodiesel vai depender da disputa.”
José Carlos Aguilera
Presidente da Brasil Ecodiesel, empresa com usinas em Iraquara (BA), Porto Nacional (TO), Rosário do Sul (RS) e São Luís (MA)

“Como estamos localizados perto do consumo, nós esperamos ter uma margem menos achatada do que nos outros leilões. Eu acho que o sistema anterior [dos leilões] era extremamente injusto porque não levava em conta o consumo. Por isso, embora ainda não sejam perfeitas, as novas regras representam uma evolução importante especialmente porque o leilão oferece preços diferentes em função da matéria-prima. Isso otimiza os custos. A mudança também mostra que o governo não está parado, que ele está preocupado com o setor, embora o importante mesmo seja que o marco regulatório venha para equilibrar novamente oferta e demanda.”
Geraldo Martins
Diretor Geral da Fertibom, usina em Catanduva (SP)

A primeira vista parece que as mudanças equalizaram algumas discrepâncias que tínhamos no mercado. Embora não tenha resolvido o problema da capacidade instalada, ajuda com a regionalidade da produção. Como conceito, acho que os valores do FAL estão corretos e parecem bem embasados, mas se eles vão mesmo conseguir equalizar a competitividade do mercado, ainda precisamos descobrir. Como estamos na Região Norte, cuja capacidade instalada está abaixo da demanda e estamos distantes dos grandes produtores, esperamos que esse leilão vá ser menos agressivo conosco.
Eduardo Bundyra
Diretor Presidente da Biotins, usina localizada em Paraíso do Tocantins (TO)


Na quarta-feira (17) outras usinas foram convidadas a expressar sua opinião. O posicionamento delas foi publicado na notícia "Usinas opinam..." e está reproduzido abaixo para facilitar o acompanhamento do tema.

"Em princípio, acho a iniciativa válida porque sua intenção é contemplar as diferenças regionais que, como sabemos, existem no Brasil. A BSBios terá um FAL para o Rio Grande do Sul e outro para o Paraná e os dois estão caros. Acho que se o leilão fosse CIF teríamos mais competitividade, mas eu não quero ficar criticando antes de colocarmos esse novo modelo para rodar. Tem um ponto muito positivo que foi o governo se mexer, há tempos que a indústria estava pedindo um movimento de melhoria. A gente ainda não sabe se esse é o melhor modelo, mas precisamos esperar o certame para ver como ele se comporta e, a partir daí, podermos discutir melhorias com o governo."
Erasmo Carlos Battistella, Diretor Presidente da BSBios que possui usinas em Passo Fundo (RS) e Marialva (PR)

"Eu achei o valor [do FAL] muito alto. Eu consigo levar o nosso produto aqui de Cuiabá para São Paulo por algo entre R$180 ou R$200 o metro cúbico enquanto o nosso FAL ficou em R$ 247. Com isso a perspectiva do leilão é de um resultado ruim. Ficamos em desvantagem em relação às usinas do Rio Grande do Sul, do Paraná e de Goiás para concorrer pelo mercado do Sudeste."
Francisco Flores, gerente administrativo da Fiagril cuja usina está em Lucas do Rio Verde (MT)

"Eu concordo com a mudança. Acho importante para diferenciar as competitividades regionais, mas na minha opinião o FAL é só um começo, porque além do frete também deveríamos levar em conta as diferenças nos impostos e nos preços das matérias-primas. Acho que nossa competitividade vai ficar melhor, mas isso vai depender da forma como as empresas vão agir durante o leilão. Nós não temos um preço mínimo que nos proteja de ações predatórias, então, se as empresas continuarem agindo da forma como agiram no leilão passado, teremos uma disputa difícil de novo."
John Kaweske, diretor presidente da Bio Petro, usina que fica em Araraquara (SP) e não possui o selo social

"O FAL [Fator de Ajuste Logístico] está caro e acho que precisamos revê-lo. De todos os Estados, o que ficou menos competitivo foi o Mato Grosso. Acredito que a formação do FAL desconsiderou os custos para a aquisição dos insumos. Olharam muito para a vantagem de termos a produção de óleo perto da usina, sem levar em conta o custo maior que temos na hora de trazer os outros insumos, a mão de obra e até os incentivos fiscais."
Rodrigo Prosdócimo Guerra, sócio-proprietário da Bio Óleo, usina instalada em Cuibá (MT)

"Acho que a intenção é válida, mas, na prática, vai gerar uma série de problemas durante a disputa. Como o leilão eletrônico é muito tenso, afinal, com três meses de faturamento em jogo e qualquer errinho pode ser fatal, essas mudanças devem aumentar a confusão entre os produtores e levar a quedas nos preços. Do nosso ponto de vista, posso dizer que a Araguassú foi prejudicada pelo FAL. As empresas que mais investiram no sentido de desbravar e industrializar novas regiões do Brasil, como é o nosso caso aqui em Porto Alegre do Norte (MT), estão sendo penalizadas. Na minha visão isso é injusto."
Sergio Di Bonaventura, vice-presidente Araguassú, usina de Porto Alegre do Norte (MT)

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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