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Fecombustíveis faz duras críticas ao biodiesel


BiodieselBR.com - 10 jun 2011 - 12:26 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

Há poucos dias a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) publicou a terceira edição de seu Relatório Anual de Revenda de Combustíveis. No documento, a entidade faz um balanço do desempenho do setor durante 2010 e arriscas previsões para este ano. No relatório os varejistas de combustíveis apresentam uma dose elevada de problemas e externam sua preocupação com o biodiesel.

O tom fica claro logo no título do capítulo especialmente dedicado ao biodiesel: “Ainda em busca de respostas”. Sinal evidente de que o setor ainda não se sente seguro em relação aos impactos que o biodiesel poderá ter sobre suas atividades.

O relatório pinta em cores fortes o trauma deixado pelos problemas causados quando o B5 foi lançado no começo de 2010. “Naquele distante janeiro, os agentes se prepararam para arcar com maiores custos de manutenção (basicamente trocas mais frequentes de filtros) e preços mais elevados do biodiesel. Mas a realidade foi bem diferente”, enfatiza o relatório, descrevendo como os postos e TRRs se sentiram confusos e desamparados quando começaram a ter dificuldades inesperadas por causa da formação de borras e entupimentos em seus tanques e filtros.

Material escuro, pegajoso e mal cheiroso
Com a introdução do biodiesel, vários donos de postos começaram a reclamar que “uma espécie de borra estava se formando em tanques e filtros, causando até mesmo entupimentos”. Isso obrigou as empresas a trocarem os elementos filtrantes, abrirem as bombas e aumentarem a frequência de limpeza dos tanques.

Outros postos relataram que muitos consumidores começaram a enviar reclamações pedindo “ressarcimento de despesas, com base em laudos de concessionárias atribuindo os problemas registrados em seus veículos a diesel de má qualidade”. O relatório sugeriu que tal situação foi desencadeada pela introdução do biodiesel.

B14?
Fiscalizações da ANP começaram a encontrar percentual muito elevado de biodiesel misturado ao diesel fóssil – algumas amostras chegaram a apresentar até 14% (B14) de biodiesel. Tal situação fez surgir no mercado a suspeita de que haveria um novo esquema de adulteração de combustíveis na praça. Uma possível explicação para a situação estaria na economia com deslocamento por parte de “distribuidoras inidôneas”. Mas no final sobrou para os postos enfrentarem “processos administrativos, com chances de absolvição somente quando detinham amostra-testemunha”, diz a Fecombustíveis.

O documento reclama que antes de ficar claro que a questão era séria e generalizada, muitos empresários do setor precisaram amargar prejuízos e se arriscaram a levar multas e punições por um problema que eles não sabiam de onde estava vindo.

Manuseio e Armazenamento
A Fecombustíveis ainda criticou o Guia de Procedimentos - Manuseio e Armazenamento de Óleo Diesel B publicado pela ANP. Para a entidade “algumas das recomendações propostas são comercial e operacionalmente inviáveis”.

Embora veja avanços na situação desde que a ANP passou a mobilizar a cadeia produtiva do biodiesel em Grupos de Trabalho para tentar compreender a origem da situação e encontrar soluções, a Fecombustíveis não dá a questão por resolvida. De acordo com a entidade, é fundamental que sejam encontradas soluções definitivas para os impasses atuais.

A Fecombustíveis termina o relatório reconhecendo a necessidade de garantir ocupação para as usinas, mas novos aumentos de mistura obrigatória não devem vir sem que existam respostas para os problemas. “Apesar de existir excesso de capacidade instalada suficiente para suprir uma mistura de quase 8% (e facilmente expandindo para 10%), agentes do mercado avaliam que a elevação do percentual neste momento, sem resolver os problemas existentes, colocaria em risco a credibilidade e o desenvolvimento do Programa. E aí todos perderiam”, conclui o relatório.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com