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[Conferência 2011] O Brasil é a terra das palmeiras


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:11 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

Embora tenha ressaltado que considera até um pouco “irresponsável” pisar ainda mais no acelerador com um programa que já vem apresentando uma “evolução notável”, o professor da Universidade Federal de Itajubá, Luiz Augusto Horta Nogueira, deu uma palestra sobre o tema “Acelerando a evolução do PNPB”.

Segundo ele, não existe nenhum outro programa do mundo que procura juntar num mesmo pacote objetivos energéticos, sociais e ambientais. Além disso, o programa tem crescido rapidamente: o biodiesel avançou com um crescimento de 38% entre 2008 e 2009 e impressionantes 49% de 2009 para 2010. Isso se insere num contexto global no qual os biocombustíveis crescem de forma acelerada e já representam cerca de 3% do consumo de energia no setor de transportes, participação que deverá continuar crescendo.

De acordo com Nogueira, isso aconteceu porque instalar indústrias de biodiesel ficou fácil e as condições foram tão atraentes que a capacidade produtiva instalada dobrou. “É compreensível que haja pressão para aumentarmos a mistura, temos muita ociosidade”, avaliou.

O pesquisador ressaltou que o espaço para os biocombustíveis é tão claro, que, cada vez mais, grandes empresas do setor energético e de commodities agrícolas estão deixando de ser espectadoras para entrar no jogo.

Mas, apesar dessa expansão notável da demanda e da capacidade, o biodiesel só vai fazer sentido se ele for, nas palavras do palestrante, “termodinamicamente correto”. Ou seja, se ele for capaz de manter um balanço energético favorável e puder ser produzido de maneira socioambientalmente sustentável. Isso significa que as matérias-primas usadas em sua produção devem ter eficiência em transformar a energia do sol em energia química, usando racionalmente o solo agrícola e a água.

Pindorama
Nesse ponto, Horta Nogueira lembrou que os indígenas chamavam o Brasil de “pindorama”, palavra em tupi que pode ser traduzida como “terra das palmeiras”, e que até agora as oleaginosas nativas ainda não foram transformadas em matérias-primas para o biodiesel. Em 2010, a Embrapa iniciou um programa de pesquisa voltado às palmeiras nativas, mas ainda faltam anos até que esse programa produza algum resultado.

Segundo ele, embora a soja seja um produto agrícola importante, ela não tem vocação para o biodiesel, pois tem um rendimento energético pífio. “Estamos fazendo com o biodiesel de soja o que criticamos nos Estados Unidos, que fazem etanol de milho. Investimos uma unidade de energia para conseguir duas”, reclamou. Ele apontou que a opção pela mamona também não é viável por ser um óleo nobre e caro demais para ser simplesmente queimado, e que falta transparência na forma como as iniciativas da agricultura familiar estão sendo fomentadas.

“Está se falando que precisamos diversificar as matérias-primas, mas a diversificação não é um fim em si. Precisamos diversificar em oleaginosas que façam sentido para a produção de biodiesel”, apontou. Para o pesquisador, isso precisa acontecer rapidamente se quisermos aproveitar uma janela de oportunidade que, ao que tudo indica, vai se fechar rapidamente. “A Agência Internacional de Energia não acredita que o biodiesel vai ser competitivo depois de 2020”, informou.

Horta Nogueira lembrou que, embora ainda não tenham se provado comercialmente viáveis, novas tecnologias para a produção de sucedâneos renováveis do diesel vêm se mostrando promissoras. E o tão falado bioquerosene de aviação não passa pela transesterificação, e isso limitaria o mercado com a tecnologia atual das usinas de biodiesel.

Mesmo assim, segundo o palestrante, quando se olha para a eficiência energética do biodiesel e do etanol como combustíveis veiculares e se olha o histórico dos preços do açúcar e do óleo de soja por períodos relativamente longos, os dois se mostram competitivos entre si. “Temos uma franja de viabilidade bastante razoável. Quanto mais eficientes forem as rotas adotadas, mais sustentável vai ser o biodiesel”, finalizou.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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