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[Conferência 2011] Com o biodiesel compensa pagar mais pelo diesel


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:35 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e presidente da Câmara de Palma de Óleo, Manoel Vicente Bertone, falou sobre a palma de óleo na palestra “Dendê: evolução, gargalos e vantagens”. Nas palavras empolgantes do palestrante, os investimentos em agroenergia mais do que compensam todas as dores de cabeça que ela vem provocando, graças à geração de emprego e renda no campo e à estabilização dos preços agrícolas.

“Esse é um esforço governamental enorme que envolve vários ministérios e conta com a atenção pessoal da presidenta Dilma. O programa de agroenergia proporciona maior segurança energética, soberania nacional e dignidade ao povo brasileiro nos mais distantes rincões do país”, falou Bertone com entusiasmo.

Isso não vem de graça, contudo. O secretário do Mapa garante que é preciso vontade política para dizer à sociedade que compensa pagar mais pelo óleo diesel e também é por isso que o programa do biodiesel necessita de seu novo marco regulatório.

Palma de óleo
O Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo que o governo federal vem tocando foi desenhado principalmente para criar uma alternativa viável à soja para a produção de biodiesel nacional. Segundo Bertone, o Brasil tem potencial para se tornar o maior produtor mundial de óleo de palma e, ao contrário dos programas de outros países que cresceram desmatando, o programa brasileiro está sendo desenvolvido recuperando áreas de pastagem degradas nos Estados amazônicos. “O óleo de palma do norte do Brasil mostra que pode ser sustentável em relação aos nossos concorrentes. Enquanto eles baseiam a produção no desflorestamento, a nossa refloresta”, disse.

A grande vantagem do dendê em relação à soja é sua produtividade, que pode superar os 5 mil quilos de óleo por hectare. A planta pode ser bastante competitiva sem perder sua grande lucratividade por ser um óleo que também tem importantes usos alimentares e químicos.

A primeira etapa do programa de palma foi o Zoneamento Agroecológico da cultivar, que chegou a uma área de cerca de 32 milhões de hectares disponíveis. Agora o programa está avançando sobre gargalos com iniciativas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), treinamento de mão de obra e aprimoramento dos mecanismos de crédito disponíveis para a agricultura familiar. “O impacto da palma na agricultura familiar é fantástico. Ela permite uma qualidade de vida muito melhor e a ascensão a um novo nível de consumo”, garante, acrescentando que ela também favorece a regularização fundiária e facilita a recuperação ambiental de áreas degradadas.

Por enquanto, o programa ainda esbarra na dificuldade em conseguir sementes e mudas na quantidade necessária a um projeto de grande escala. O palestrante diz que a Embrapa não havia conseguido atingir a meta de colocar no mercado 2 milhões de mudas no ano passado, mas que a empresa esperava encerrar esse ano com 4 milhões de mudas.

A expectativa é que – desde que os gargalos logísticos e tecnológicos sejam devidamente equacionados – o biodiesel feito do óleo de palma garanta preços mais competitivos do que as alternativas atuais. “O diesel tem um peso monstruoso no custo do produtor brasileiro, é até uma obrigação encontrar alternativas para reduzir esse custo”, acrescenta. Para finalizar, Bertone lembrou que o etanol também precisou de anos de subsídios antes de se tornar economicamente atraente.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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