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[Conferência 2011] Aprobio quer um horizonte para o setor


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:50 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

O presidente do Conselho da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Carlos Battistella, falou sobre “A chegada da consolidação” no setor. Segundo ele, se o biodiesel era inicialmente visto como um nicho industrial, tal visão precisa ser substituída pela compreensão de que se trata de uma cadeia produtiva, que vai desde a atividade agrícola até o consumidor final de diesel. “Precisamos estar atentos a todos os elos da cadeia”, resumiu.

Na visão da Aprobio, foram notáveis os avanços da indústria desde que o PNPB foi anunciado, há sete anos, mas para que os benefícios possam se expandir mais é necessário avançar rumo a misturas maiores.

Trabalhando com o cenário de alcançar o B20 em 2020, Battistella apresentou suas perspectivas para o crescimento do setor. Nas contas da associação, para atender a demanda do B20 seria preciso fabricar 14 bilhões de litros de biodiesel, e isso demandaria cerca de R$ 28 bilhões em novos investimentos.

As externalidades positivas seriam consideráveis. Na área de inclusão social, se com o B5 temos 100 mil agricultores familiares fornecendo matéria-prima para o programa, com o B20 o número subiria para 500 mil famílias. O número de empregos gerados pela indústria também subiria dos atuais 1,3 milhão para 4,7 milhões em 2020.

“Nesse momento, temos uma realidade apropriada para a instalação do novo marco regulatório com uma superoferta de capacidade instalada somada a uma oferta de matéria-prima e a necessidade de consumir mais energia renovável”, avaliou. Para ele, a grande preocupação dos empresários hoje é que a indústria tem uma capacidade instalada superior a 6 bilhões de litros por ano para uma demanda de apenas 2 bilhões. “Se não tivermos o novo marco regulatório, a entrada de novos players grandes vai enfraquecer players menores do setor. Precisamos nos preocupar com empresários brasileiros que investiram num programa de biodiesel que é um programa do Brasil”, disse, transmitindo urgência.

Segundo Battistella, não é necessário um aumento da mistura para já, apenas que o governo sinalize de que forma a demanda deverá evoluir nos próximos dez anos. Essa sinalização seria inclusive um incentivo para que os empresários acelerassem avanços em gargalos apontados pelo governo, como a diversificação da matéria-prima. “O Brasil tem condições de ser o maior produtor de palma de óleo do mundo e estamos avançando nisso. Se tivermos mais demanda, vamos ter mais diversificação”, comentou, acrescentando que o mesmo efeito se daria sobre a inclusão da agricultura familiar.

Ele ressaltou ainda que, embora o biodiesel seja mas caro, a introdução do novo óleo diesel com baixo teor de enxofre – S50 e S10 – estão exigindo investimentos da ordem de US$ 15 bilhões e ainda devem ter um impacto negativo da balança de pagamentos do país, porque parte da demanda precisará ser importada. “O biodiesel é S0”, disse, referindo-se à ausência de enxofre no biocombustível.

“Temos um pré-sal verde. Cada usina de biodiesel é um pequeno poço de petróleo no interior do país e a cadeia do biodiesel está madura para dar o próximo passo”. Para finalizar, Battistella alertou que o setor pode entrar numa fase de consolidação que poderá tirar o segmento das mãos do empresariado brasileiro.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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