[Análise] Os impactos do possível novo operador estratégico da Agrenco
Se confirmado os rumores sobre o novo operador estratégico da Agrenco, o mercado de biodiesel terá sua atual fase intensificada e veremos um grupo de usinas ainda mais distante do mercado.
BiodieselBR.com ··3 min de leitura
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Análise Semanal 22.abr.09
Os impactos do possível novo operador estratégico da Agrenco
Se confirmado os rumores de que a Cargill será a operadora estratégica da Agrenco, o mercado de biodiesel deverá entrar em uma fase ainda mais competitiva. O setor que já vem enfrentando o excesso de capacidade de produção em razão da falta de agilidade do governo em implementar o B4, passará a ter um forte player com uma grande oferta de biodiesel.
A Cargill terá o controle de duas usinas de biodiesel que somadas atingem a capacidade de 355 milhões de litros. Esse volume quase anularia os ganhos que a oferta de B4 traria para o setor. Com a obrigatoriedade do B4 seriam comprados 420 milhões de litros a mais por ano, tendo como base o último leilão de biodiesel da ANP. Descontada a capacidade que a Cargill controlará, sobrariam apenas 65 milhões de litros de biodiesel.
Tendo em vista o tamanho da Cargill, é de se esperar um comportamento nos leilões semelhante ao da ADM, onde o objetivo é vender todo o biodiesel possível. A ADM e a Cargill somadas teriam condições de abocanhar 28,5% de um leilão para o B4 (onde 420 milhões de litros seriam comprados) ou 38% de um leilão de B3 (315 milhões de litros).
Se no último leilão os pequenos produtores tiveram pouco espaço, caso o rumor se confirme e as usinas da Agrenco/Cargill entrem em operação, dificilmente sobrarão lugares para estes. O biodiesel passará a ser um mercado para grandes empresas, pelo menos enquanto o sistema de leilões estiver funcionando.
Produção em fevereiro
O governo acenou nesta semana para uma possível baixa do preço do diesel. Ainda não está decidido quanto baixará e nem quando isto ocorrerá. A justificativa dada é que a possível redução de preço teria como objetivo estimular a economia.
A redução no valor do diesel é benéfica para a economia brasileira. Afinal a maior parte da produção e produtos brasileiros anda sobre rodas de caminhões e carretas. Para o setor de biodiesel brasileiro, que vende através dos leilões, a alteração não atinge diretamente. Os preços são determinados pelas próprias usinas nos leilões, respeitando um valor máximo definido pela ANP.
A redução afeta quem produz biodiesel para consumo próprio. Com os atuais preços do diesel a produção de biodiesel nesta modalidade já está no limite da viabilidade. Com o diesel valendo menos, deixa de ser interessante produzir biodiesel para o consumo próprio.