No início do programa do biodiesel, em 2005 e 2006, muitas foram as iniciativas de produção deste combustível para consumo próprio. Na época a conta ficava interessante pelo baixo preço do óleo vegetal. A partir de outubro de 2006 as coisas começaram a mudar.
No início do programa do biodiesel, em 2005 e 2006, muitas foram as iniciativas de produção deste combustível para consumo próprio. Na época a conta ficava interessante pelo baixo preço do óleo vegetal. A partir de outubro de 2006 as coisas começaram a mudar. O óleo de soja saiu de US$ 480 por tonelada e alcançou US$ 1.550 em março de 2008. Os altos preços dos óleos vegetais e demais gorduras não permitiam o uso cativo da produção de biodiesel, pois o custo final ultrapassava o preço do diesel. Quem estava fazendo isso teve que parar.
Mas não foi somente isso. Houve outros problemas que se somaram. A começar pela precária tecnologia utilizada na construção dessas pequenas usinas, que resultou em um biodiesel de péssima qualidade; a falta de licenças ambientais e inexistência de registros junto aos órgãos públicos, que chegaram até a fechar muitas dessas usinas; a falta de notas fiscais no transporte das mercadorias, gerando sonegação fiscal; e, por fim, a questão da dependência de uma única matéria-prima: o óleo de soja.
Passada a euforia e a decepção, a produção de biodiesel para consumo próprio volta agora em novas bases. O óleo de soja fica fora, entram outros óleos vegetais. O produtor de biodiesel começa a dar preferência para grãos produzidos na safrinha ou no inverno e não usa a safra de verão para essa finalidade. Com isso, temos um aumento da produção, com melhor utilização das terras, evitando a evasão de riquezas. Cada litro de biodiesel produzido e consumido no local dispensa a compra do correspondente em diesel importado e a remessa de dinheiro para outras regiões ou países. A riqueza fica na cidade e estimula a economia regional, aumentando o emprego e melhorando a qualidade de vida.
Os erros cometidos nos primeiros anos do PNPB, tanto pelo governo como pelos produtores, estão servindo agora de exemplo do que não deve ser feito. A mamona, que no início foi apontada como a solução do biodiesel do Oiapoque ao Chuí, dá lugar a culturas regionais (estranhamente, todas as esferas do governo se recusam a admitir o erro cometido com a mamona). A vocação agrícola de cada região, seu solo, sua topografia, seu clima e a tradição passam a ser determinantes nessa nova fase da produção agroenergética, tanto para consumo próprio quanto para as grandes usinas.
Com isso, algumas culturas começam a se firmar. O crambe para parte do Sudeste e Centro- Oeste e a canola na região Sul. E o importante desses plantios é a garantia de compra ou troca feita com as usinas. Antes de plantar o produtor sabe por quanto vai vender.
O ano de 2009 deverá ser o divisor de águas. Nas grandes usinas, o óleo de soja começará a ceder espaço para outros óleos e gorduras e a produção de biodiesel para consumo próprio com oleaginosas específicas ganhará força.
Não depender da soja e ter o controle do custo de outra matéria- prima poderá ser o diferencial entre o lucro e o prejuízo.
Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel
Mas não foi somente isso. Houve outros problemas que se somaram. A começar pela precária tecnologia utilizada na construção dessas pequenas usinas, que resultou em um biodiesel de péssima qualidade; a falta de licenças ambientais e inexistência de registros junto aos órgãos públicos, que chegaram até a fechar muitas dessas usinas; a falta de notas fiscais no transporte das mercadorias, gerando sonegação fiscal; e, por fim, a questão da dependência de uma única matéria-prima: o óleo de soja.
Passada a euforia e a decepção, a produção de biodiesel para consumo próprio volta agora em novas bases. O óleo de soja fica fora, entram outros óleos vegetais. O produtor de biodiesel começa a dar preferência para grãos produzidos na safrinha ou no inverno e não usa a safra de verão para essa finalidade. Com isso, temos um aumento da produção, com melhor utilização das terras, evitando a evasão de riquezas. Cada litro de biodiesel produzido e consumido no local dispensa a compra do correspondente em diesel importado e a remessa de dinheiro para outras regiões ou países. A riqueza fica na cidade e estimula a economia regional, aumentando o emprego e melhorando a qualidade de vida.
Os erros cometidos nos primeiros anos do PNPB, tanto pelo governo como pelos produtores, estão servindo agora de exemplo do que não deve ser feito. A mamona, que no início foi apontada como a solução do biodiesel do Oiapoque ao Chuí, dá lugar a culturas regionais (estranhamente, todas as esferas do governo se recusam a admitir o erro cometido com a mamona). A vocação agrícola de cada região, seu solo, sua topografia, seu clima e a tradição passam a ser determinantes nessa nova fase da produção agroenergética, tanto para consumo próprio quanto para as grandes usinas.
Com isso, algumas culturas começam a se firmar. O crambe para parte do Sudeste e Centro- Oeste e a canola na região Sul. E o importante desses plantios é a garantia de compra ou troca feita com as usinas. Antes de plantar o produtor sabe por quanto vai vender.
O ano de 2009 deverá ser o divisor de águas. Nas grandes usinas, o óleo de soja começará a ceder espaço para outros óleos e gorduras e a produção de biodiesel para consumo próprio com oleaginosas específicas ganhará força.
Não depender da soja e ter o controle do custo de outra matéria- prima poderá ser o diferencial entre o lucro e o prejuízo.
Univaldo Vedana - Analista do setor de biodiesel