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[Análise] A entrada da Vale na produção de biodiesel


BiodieselBR.com - 30 jun 2009 - 14:45 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:09

A apresentação do projeto de biodiesel da Vale e a escolha da matéria-prima mostra que a empresa tem uma visão de longo prazo e está preocupada com seu impacto no meio ambiente.

A Vale acredita na produtividade do dendê para produzir biodiesel abaixo do custo do diesel mineral. Segundo cálculos da empresa, em condição de mercado favorável terá economia de até 150 milhões de dólares por ano. Esse valor refere-se a diferença entre o custo de produção do biodiesel e o preço do diesel na bomba, mas considerando desde os gastos com a produção e extração do dendê e não apenas o preço do óleo.

O projeto da Vale contempla a verticalização completa da produção e da distribuição, com plantios próprios e integrados com pequenos produtores rurais e o consumo próprio do biocombustível. Cada pequeno produtor poderá plantar até 10 hectares com garantia da empresa.

A verticalização se completa na distribuição com a demanda garantida. A Vale é a maior consumidora de energia do Brasil e está entre as maiores mineradoras do mundo. O biodiesel será destinado apenas para uma parcela do consumo da empresa, atendendo apenas o consumo na região norte.

Esta mega estrutura de mineradora torna a Vale muito visada. Seus produtos podem sofrer barreiras comerciais em muitos países se a empresa não mostrar e fizer a lição de casa. A produção de biodiesel de forma sustentável nos três pilares, ambiental, social e econômico faz parte da estratégia e está inserido em um projeto de longo prazo.

A Vale abre um novo mercado dentro do setor: produção de biodiesel em larga escala para consumo próprio. Outras grandes empresas podem se sentir estimuladas a estudar melhor a situação e investir neste modelo.

Nenhuma outra empresa necessitará de tanto biodiesel como a Vale, mas mesmo assim o projeto pode ser viável. Além da vantagem direta na economia do diesel, as empresas que adotarem postura semelhante poderão vender créditos de carbono e transmitir uma imagem de empresa sustentável.

Outro ponto que merece destaque no consórcio Vale/Biopalma é a divisão da participação da produção de óleo. O percentual de 41% do óleo produzido será transformado em biodiesel e vai para a Vale. Os 59% restantes do óleo será da Biopalma e ela determinará o seu destino. Com o sucesso deste empreendimento, o Brasil passará a ser auto-suficiente em óleo de dendê para consumo humano.

Vale e Petrobras
Em termos de maturação, os projetos da Petrobras e da Vale são parecidos, ambos maturam em cinco ou seis anos. Mas as semelhanças acabam aí. A estatal já está produzindo biodiesel, com intenção de utilizar diversas matérias-primas e o destino é o consumidor final. Na Vale o foco é o dendê, com plano apenas para outras oleaginosas perenes. A produção de biodiesel terá início apenas após a maturação do plantio de dendê, e o destino será o consumo próprio.

Dessa forma temos as duas maiores empresas do Brasil com visões diferentes de como atuar no setor de biodiesel. Não podia ser de outra maneira, já que são empresas tão distintas. Assim, sob dois pontos de vista diferentes, o biodiesel se mostrou estratégico e rentável.

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