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Embora tenha assumido um perfil de atuação mais discreto nos últimos anos, RBTB completa sua primeira década de vida mantendo o vigor
Embora tenha assumido um perfil de atuação mais discreto nos últimos anos, RBTB completa sua primeira década de vida mantendo o vigor
João Guilherme Frey, de Curitiba
Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB) começou a ser estruturada em março de 2004 com o objetivo de identificar e superar gargalos técnicos que viessem a surgir durante a evolução do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Criada oficialmente um ano mais tarde, por meio da estruturação de seu plano de ação e da realização de cinco seminários temáticos, a Rede completa dez anos em 2015. Momento ideal para um balanço desse órgão, que desde sua fundação mostra um esforço contínuo para integrar os pesquisadores da área e promover a expansão da pesquisa sobre biodiesel no Brasil.
Depois de anos de grande visibilidade, a RBTB enfrentou problemas pontuais que deram a impressão de que as coisas poderiam ter entrado em ponto morto. Contudo, segundo as fontes ouvidas por BiodieselBR, basta cavar um pouco que a atividade começa surgir.
Antes, uma constatação: a rede teve sucesso em alavancar a pesquisa na área. Um levantamento feito pelo doutorando em química Vinícius Kothe, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra um crescimento substancial no interesse acadêmico sobre o biodiesel. De acordo com a base de publicações científicas Scopus, em 2004 apenas quatro publicações acadêmicas sobre biodiesel foram publicadas por cientistas brasileiros em revistas revisadas por pares. Dez anos depois, esse número havia saltado para 320 – 80 vezes o número inicial.
Para Simoni Plentz Meneghetti, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenadora da área de produção, a RBTB foi a propulsora deste crescimento.“Com certeza foi a criação desta rede que colocou o tema em pauta nas diversas universidades. Não é trivial conseguir ter toda esta comunidade envolvida em dez anos”, diz ela. O credito por parte desse sucesso deve-se ao esforço do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pela coordenação da RBTB, em agregar pesquisadores espalhados por todo o país.
Professor da UFPR e coordenador da Sub-rede de Coprodutos, Luiz Pereira Ramos qualifica como “fantástico” o desenvolvimento desse acervo de informações sobre a produção e uso do biodiesel. Ele ressalta, contudo, que não dá para creditar tudo à Rede, pois várias iniciativas se deram de forma isolada, e aponta que há uma certa informalidade na constituição da RBTB. “A Rede existe no âmbito do Plano Nacional, mas eu desconheço a existência de um documento associado a sua criação. No entanto, a convergência entre os interesses das pessoas envolvidas tem compensado essa aparente informalidade”, diz.
Coordenador da Sub-rede de Caracterização e Controle de Qualidade, Nelson Antoniosi Filho, da Universidade Federal de Goiás (UFG), é o pesquisador que demonstra maior entusiasmo com os trabalhos da RBTB. “De todas as redes em que eu participei, esta é o maior exemplo de sucesso. Ela já não depende tanto de recursos financeiros para continuar funcionando, porque já anda com suas próprias pernas”, afirma.
• matérias-primas;
• produção;
• armazenamento, estabilidade e problemas associados;
• caracterização e controle da qualidade;
• coprodutos.
Rafael Menezes, coordenador de ações de desenvolvimento energético do MCTI, explica como as pesquisas são viabilizadas. “No início das atividades da Rede, eram poucas as instituições e pesquisadores envolvidos na pesquisa em biodiesel no país, o que permitiu a realização de encomendas tecnológicas para esses grupos de pesquisa. Contudo, com o aumento do número de pesquisadores e instituições de pesquisa na área, fomos abrindo a Rede para a participação de todos os pesquisadores brasileiros, com a preferência por chamadas públicas”, explica.
Para o professor Paulo Suarez, da Universidade Nacional de Brasília (UnB), um dos coordenadores da Sub-rede de Produção, os chamamentos públicos são um estímulo à descentralização da pesquisa. “Devido aos editais, você passou a ter gente trabalhando com a Rede no país inteiro, de forma descentralizada. Com isso, você atinge o resultado de ter uma massa crítica na área de biodiesel espalhada por todo o país”, analisa.
Menezes destaca que esses recursos também possibilitaram a implantação de uma série deações voltadas para estruturação e capacitação de uma rede de laboratórios de caracterização e controle da qualidade de biodiesel. “O MCTI equipou 37 laboratórios e apoiou sua capacitação para a realização de ensaios e análises de acordo com requisitos internacionalmente aceitos”, relata.
Nelson Antoniosi Filho corrobora a importância desses laboratórios. “A consolidação de um programa de produção de biocombustíveis depende intrinsecamente da qualidade do biocombustível”, aponta, ressaltando que isso foi fundamental para construir uma atmosfera de confiança em torno do PNPB.
Em 2010, por exemplo, com o apoio da Casa Civil da Presidência da República, do MCTI e do MEC, teve início a oferta de um curso superior em tecnologia de biocombustíveis nos institutos federais. “Com certeza isto será um catalisador para a geração de patentes, o que corresponde a uma característica da formação em nível tecnológico”, projeta.
Segundo Nelson Antoniosi, da UFG, a RBTB não se restringiu a ajudar a traçar o perfil profissional dos tecnólogos em biocombustíveis e a subsidiar o curso com palestras e artigos. “Na cidade de Matão, em São Paulo, nós atuamos até na negociação com o prefeito para conseguir uma área para o campus”, conta, informando que o curso foi instalado há cerca de cinco anos.
Na opinião de Rafael Menezes, as cinco primeiras edições do Congresso da RBTB foram um sucesso, tanto em termos de público quanto em relação à qualidade do debate. “A realização do congresso também é de fundamental importância para a atualização do Plano de Ação da RBTB, que subsidia o MCTI no fomento a projetos direcionados aos principais gargalos existentes na cadeia de produção e uso do biodiesel”, diz.
Luiz Pereira Ramos, da UFPR, é mais um a reconhecer a importância dos congressos. “É um congresso de grande prestígio, com bom conteúdo científico e tecnológico. Alguns convidados do exterior que vieram ao evento saíram daqui muito bem impressionados”, conta.
Para comprovar o vigor dos eventos basta dizer que, em sua primeira edição, foram apresentados 130 artigos, enquanto na mais recente delas – acontecida em Salvador em 2012 – os anais contabilizam 882 trabalhos técnico-científicos. Ou seja, percebe-se o crescimento da produção acadêmica sobre o tema biodiesel também pelos trabalhos apresentados no evento.
É justamente por causa da visibilidade do congresso que surgiu a ideia de que a rede poderia estar em apuros. Primeiro porque, desde 2010, o Congresso da RBTB passou a ser realizado em paralelo com o Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel. Fora isso, como são eventos bianuais, deveria ter acontecido uma nova edição em 2014. Muita gente estranhou quando ela não veio.
Pedro Castro Neto, professor da Universidade Federal de Lavras (Uf la), em Minas Gerais, e responsável pela organização dos eventos, explica que o problema não foi de prioridade, mas decorrente de dificuldades mais comezinhas – o período eleitoral. “O congresso foi planejado para ocorrer em 2014, mas a grande maioria dos pesquisadores que apresentam trabalhos depende das agências de fomento dos estados para sua participação. Em ano eleitoral, existe muita dificuldade de tramitar os assuntos e apoios necessários. A legislação te deixa muito apertado em como fazer um evento dessa forma para não dar conotação eleitoral”, explica.
Para compensar, o professor conta que eventos menores foram realizados. “Nós fizemos aqui em Lavras um simpósio sobre produção de matérias-primas para biodiesel. Tanto sobre matérias-primas de primeiro uso como sobre óleo residual de fritura com que a gente trabalha bastante aqui na região”, conta, acrescentando que esses eventos ajudam a fazer o conhecimento gerado pela academia chegar mais longe. “Não adianta nada você gerar uma série muito grande de trabalhos e colocar isso tudo na prateleira para ficar empoeirado. Este trabalho tem que ser disseminado”, diz.
Passadas as dificuldades do ano eleitoral, o Congresso da RBTB deve ser realizado ainda este ano, provavelmente no mês de novembro. A estratégia para a próxima edição, de acordo comRafael Menezes, é mobilizar um número maior de empresários e interessados nas questões que envolvem a cadeia de produção e uso de biodiesel para que eles possam interagir com os técnicos e pesquisadores da área pública, trocando informações e estabelecendo parcerias.
Atualmente, um dos maiores projetos de pesquisa da Rede é a produção de biodiesel a partir de microalgas. Iniciado em 2011, o projeto envolve dez instituições brasileiras e tem possibilitado avanços nas pesquisas e em tecnologias voltadas à produção e uso dessa matéria-prima. Tendo recebido incialmente R$ 7,5 milhões, o projeto foi suplementado com mais R$ 11,2 milhões em 2013.
O coordenador desse esforço é Antoniosi, da UFMG, que se declara satisfeito com os resultados obtidos até agora. “Se tem um lugar no mundo onde o biodiesel de microalga já tem tecnologia para ser produzido, este lugar é o Brasil. São dez universidades dentro deste projeto, que envolve desde matéria-prima até além da parte de coprodutos, porque tem a parte de avaliação econômica e ambiental do processo”, conta.
Se depender do entusiasmo dos pesquisadores envolvidos com a Rede, os próximos dez anos trarão inovações e avanço para o biodiesel no Brasil.
• Início do projeto "Estudo de compatibilidade de materiais, degradação e de corrosão envolvendo biodiesel, álcool combustível e suas misturas” no âmbito da Sub-rede de Armazenamento, Estabilidade e Problemas Associados;
• Estruturação e lançamento do novo site da RBTB;
• Contratação, ainda em 2015, de projetos selecionados na Chamada MCTI/CNPq 40/2013, com a alocação de aproximadamente R$ 1,3 milhão;
• Duas reuniões de coordenação da RBTB;
• Organização do 6° Congresso da RBTB e do 9º Congresso de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel;
• Reinício dos seminários temáticos de cada sub-rede da RBTB;
• Lançamento do livro “Parâmetros físicoquímicos para processos de produção de biodiesel”, estruturado, principalmente, pela Sub-rede de Produção da RBTB.
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João Guilherme Frey, de Curitiba
Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB) começou a ser estruturada em março de 2004 com o objetivo de identificar e superar gargalos técnicos que viessem a surgir durante a evolução do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). Criada oficialmente um ano mais tarde, por meio da estruturação de seu plano de ação e da realização de cinco seminários temáticos, a Rede completa dez anos em 2015. Momento ideal para um balanço desse órgão, que desde sua fundação mostra um esforço contínuo para integrar os pesquisadores da área e promover a expansão da pesquisa sobre biodiesel no Brasil.
Depois de anos de grande visibilidade, a RBTB enfrentou problemas pontuais que deram a impressão de que as coisas poderiam ter entrado em ponto morto. Contudo, segundo as fontes ouvidas por BiodieselBR, basta cavar um pouco que a atividade começa surgir.
Antes, uma constatação: a rede teve sucesso em alavancar a pesquisa na área. Um levantamento feito pelo doutorando em química Vinícius Kothe, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra um crescimento substancial no interesse acadêmico sobre o biodiesel. De acordo com a base de publicações científicas Scopus, em 2004 apenas quatro publicações acadêmicas sobre biodiesel foram publicadas por cientistas brasileiros em revistas revisadas por pares. Dez anos depois, esse número havia saltado para 320 – 80 vezes o número inicial.
Para Simoni Plentz Meneghetti, professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e coordenadora da área de produção, a RBTB foi a propulsora deste crescimento.“Com certeza foi a criação desta rede que colocou o tema em pauta nas diversas universidades. Não é trivial conseguir ter toda esta comunidade envolvida em dez anos”, diz ela. O credito por parte desse sucesso deve-se ao esforço do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável pela coordenação da RBTB, em agregar pesquisadores espalhados por todo o país.
Professor da UFPR e coordenador da Sub-rede de Coprodutos, Luiz Pereira Ramos qualifica como “fantástico” o desenvolvimento desse acervo de informações sobre a produção e uso do biodiesel. Ele ressalta, contudo, que não dá para creditar tudo à Rede, pois várias iniciativas se deram de forma isolada, e aponta que há uma certa informalidade na constituição da RBTB. “A Rede existe no âmbito do Plano Nacional, mas eu desconheço a existência de um documento associado a sua criação. No entanto, a convergência entre os interesses das pessoas envolvidas tem compensado essa aparente informalidade”, diz.
Coordenador da Sub-rede de Caracterização e Controle de Qualidade, Nelson Antoniosi Filho, da Universidade Federal de Goiás (UFG), é o pesquisador que demonstra maior entusiasmo com os trabalhos da RBTB. “De todas as redes em que eu participei, esta é o maior exemplo de sucesso. Ela já não depende tanto de recursos financeiros para continuar funcionando, porque já anda com suas próprias pernas”, afirma.
Organização
Para organizar sua atuação, a Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB) foi subdividida em outras cinco redes temáticas:• matérias-primas;
• produção;
• armazenamento, estabilidade e problemas associados;
• caracterização e controle da qualidade;
• coprodutos.
Recursos
Não quer dizer que a RBTB não tenha tido seu quinhão. Desde sua fundação, a Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel já recebeu cerca de R$ 158 milhões através de investimentos do MCTI, do CNPq, do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Finep.Rafael Menezes, coordenador de ações de desenvolvimento energético do MCTI, explica como as pesquisas são viabilizadas. “No início das atividades da Rede, eram poucas as instituições e pesquisadores envolvidos na pesquisa em biodiesel no país, o que permitiu a realização de encomendas tecnológicas para esses grupos de pesquisa. Contudo, com o aumento do número de pesquisadores e instituições de pesquisa na área, fomos abrindo a Rede para a participação de todos os pesquisadores brasileiros, com a preferência por chamadas públicas”, explica.
Para o professor Paulo Suarez, da Universidade Nacional de Brasília (UnB), um dos coordenadores da Sub-rede de Produção, os chamamentos públicos são um estímulo à descentralização da pesquisa. “Devido aos editais, você passou a ter gente trabalhando com a Rede no país inteiro, de forma descentralizada. Com isso, você atinge o resultado de ter uma massa crítica na área de biodiesel espalhada por todo o país”, analisa.
Menezes destaca que esses recursos também possibilitaram a implantação de uma série deações voltadas para estruturação e capacitação de uma rede de laboratórios de caracterização e controle da qualidade de biodiesel. “O MCTI equipou 37 laboratórios e apoiou sua capacitação para a realização de ensaios e análises de acordo com requisitos internacionalmente aceitos”, relata.
Nelson Antoniosi Filho corrobora a importância desses laboratórios. “A consolidação de um programa de produção de biocombustíveis depende intrinsecamente da qualidade do biocombustível”, aponta, ressaltando que isso foi fundamental para construir uma atmosfera de confiança em torno do PNPB.
Formação
De acordo com Rafael Menezes, do MCTI, o Brasil também está se destacando na formação de recursos humanos especializados em biocombustíveis.Em 2010, por exemplo, com o apoio da Casa Civil da Presidência da República, do MCTI e do MEC, teve início a oferta de um curso superior em tecnologia de biocombustíveis nos institutos federais. “Com certeza isto será um catalisador para a geração de patentes, o que corresponde a uma característica da formação em nível tecnológico”, projeta.
Segundo Nelson Antoniosi, da UFG, a RBTB não se restringiu a ajudar a traçar o perfil profissional dos tecnólogos em biocombustíveis e a subsidiar o curso com palestras e artigos. “Na cidade de Matão, em São Paulo, nós atuamos até na negociação com o prefeito para conseguir uma área para o campus”, conta, informando que o curso foi instalado há cerca de cinco anos.
Congressos
Como ferramenta de avaliação e divulgação dos resultados e andamentos dos projetos fomentados, o MCTI promove, desde 2006, o Congresso da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel.Na opinião de Rafael Menezes, as cinco primeiras edições do Congresso da RBTB foram um sucesso, tanto em termos de público quanto em relação à qualidade do debate. “A realização do congresso também é de fundamental importância para a atualização do Plano de Ação da RBTB, que subsidia o MCTI no fomento a projetos direcionados aos principais gargalos existentes na cadeia de produção e uso do biodiesel”, diz.
Luiz Pereira Ramos, da UFPR, é mais um a reconhecer a importância dos congressos. “É um congresso de grande prestígio, com bom conteúdo científico e tecnológico. Alguns convidados do exterior que vieram ao evento saíram daqui muito bem impressionados”, conta.
Para comprovar o vigor dos eventos basta dizer que, em sua primeira edição, foram apresentados 130 artigos, enquanto na mais recente delas – acontecida em Salvador em 2012 – os anais contabilizam 882 trabalhos técnico-científicos. Ou seja, percebe-se o crescimento da produção acadêmica sobre o tema biodiesel também pelos trabalhos apresentados no evento.
É justamente por causa da visibilidade do congresso que surgiu a ideia de que a rede poderia estar em apuros. Primeiro porque, desde 2010, o Congresso da RBTB passou a ser realizado em paralelo com o Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel. Fora isso, como são eventos bianuais, deveria ter acontecido uma nova edição em 2014. Muita gente estranhou quando ela não veio.
Pedro Castro Neto, professor da Universidade Federal de Lavras (Uf la), em Minas Gerais, e responsável pela organização dos eventos, explica que o problema não foi de prioridade, mas decorrente de dificuldades mais comezinhas – o período eleitoral. “O congresso foi planejado para ocorrer em 2014, mas a grande maioria dos pesquisadores que apresentam trabalhos depende das agências de fomento dos estados para sua participação. Em ano eleitoral, existe muita dificuldade de tramitar os assuntos e apoios necessários. A legislação te deixa muito apertado em como fazer um evento dessa forma para não dar conotação eleitoral”, explica.
Para compensar, o professor conta que eventos menores foram realizados. “Nós fizemos aqui em Lavras um simpósio sobre produção de matérias-primas para biodiesel. Tanto sobre matérias-primas de primeiro uso como sobre óleo residual de fritura com que a gente trabalha bastante aqui na região”, conta, acrescentando que esses eventos ajudam a fazer o conhecimento gerado pela academia chegar mais longe. “Não adianta nada você gerar uma série muito grande de trabalhos e colocar isso tudo na prateleira para ficar empoeirado. Este trabalho tem que ser disseminado”, diz.
Passadas as dificuldades do ano eleitoral, o Congresso da RBTB deve ser realizado ainda este ano, provavelmente no mês de novembro. A estratégia para a próxima edição, de acordo comRafael Menezes, é mobilizar um número maior de empresários e interessados nas questões que envolvem a cadeia de produção e uso de biodiesel para que eles possam interagir com os técnicos e pesquisadores da área pública, trocando informações e estabelecendo parcerias.
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Pesquisa
Mas a relação da Rede com o congresso é como a do proverbial iceberg, em que a parte mais visível é relativamente pequena em relação ao que está abaixo da linha d’água. Apesar da falha no ano passado, os envolvidos garantem que as pesquisas não desaceleraram.Atualmente, um dos maiores projetos de pesquisa da Rede é a produção de biodiesel a partir de microalgas. Iniciado em 2011, o projeto envolve dez instituições brasileiras e tem possibilitado avanços nas pesquisas e em tecnologias voltadas à produção e uso dessa matéria-prima. Tendo recebido incialmente R$ 7,5 milhões, o projeto foi suplementado com mais R$ 11,2 milhões em 2013.
O coordenador desse esforço é Antoniosi, da UFMG, que se declara satisfeito com os resultados obtidos até agora. “Se tem um lugar no mundo onde o biodiesel de microalga já tem tecnologia para ser produzido, este lugar é o Brasil. São dez universidades dentro deste projeto, que envolve desde matéria-prima até além da parte de coprodutos, porque tem a parte de avaliação econômica e ambiental do processo”, conta.
Se depender do entusiasmo dos pesquisadores envolvidos com a Rede, os próximos dez anos trarão inovações e avanço para o biodiesel no Brasil.
Agenda 2015 da RBTB
• Início das atividades do Projeto de Gestão da RBTB. O projeto irá apoiar a gestão da rede. Serão investidos R$ 500 mil reais;• Início do projeto "Estudo de compatibilidade de materiais, degradação e de corrosão envolvendo biodiesel, álcool combustível e suas misturas” no âmbito da Sub-rede de Armazenamento, Estabilidade e Problemas Associados;
• Estruturação e lançamento do novo site da RBTB;
• Contratação, ainda em 2015, de projetos selecionados na Chamada MCTI/CNPq 40/2013, com a alocação de aproximadamente R$ 1,3 milhão;
• Duas reuniões de coordenação da RBTB;
• Organização do 6° Congresso da RBTB e do 9º Congresso de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel;
• Reinício dos seminários temáticos de cada sub-rede da RBTB;
• Lançamento do livro “Parâmetros físicoquímicos para processos de produção de biodiesel”, estruturado, principalmente, pela Sub-rede de Produção da RBTB.

