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Depois de meses em queda, preços da glicerina bruta voltam a subir, puxados pela baixa oferta do coproduto no mercado global
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Depois de meses em queda, preços da glicerina bruta voltam a subir, puxados pela baixa oferta do coproduto no mercado global






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Depois de meses em queda, preços da glicerina bruta voltam a subir, puxados pela baixa oferta do coproduto no mercado global

Cátia Franco, de São Paulo

Depois de um longo período indo ladeira abaixo – desde outubro de 2013 –, a cotação da glicerina começa a dar sinais de recuperação. Um indício dessa tendência de recuperação nos preços do principal coproduto do biodiesel foi o preço pago pelo glicerol bruto que o Brasil exportou em março último. A tonelada da glicerina bruta saiu, em média, por US$ 226,01 – incremento de cerca de 29,6% sobre a cotação de fevereiro.

Essa foi a segunda alta consecutiva sofrida pela cotação da glicerina bruta – que tem maior volume e menor valor agregado. A primeira – menos pronunciada – foi de janeiro para fevereiro, quando o preço do coproduto exportado pelo Brasil elevou-se em 8%. Esse incremento pôs fim a uma trajetória de queda que perdurava por sete meses seguidos. 
Graças à valorização da cotação, o país registrou com as vendas de glicerol bruto em março um faturamento 24,5% maior comparado ao obtido no mês anterior – mesmo contabilizando uma diminuição de 4,1% no volume dos embarques. Pelas 22,5 mil toneladas de glicerol bruto comercializadas no mercado externo em março, o Brasil angariou US$ 5,1 milhões.

Oferta

A Icis, agência que acompanha as variações do mercado global de insumos para a indústria química, atribui esse aquecimento nos preços da glicerina bruta a uma oferta mais escassa do coproduto no mercado internacional. Trata-se de uma reação em cadeia: a queda no barril de petróleo resultou em combustíveis fósseis mais baratos, o que desestimulou o uso do biodiesel em seu maior mercado consumidor – a Europa.

“Com os fósseis significativamente mais baratos, faz pouco sentido financeiro que as companhias[europeias] continuem misturando biocombustíveis, como biodiesel ou etanol, além dos níveis mandatórios”, explica a editora de biocombustíveis e oleoquímicos do grupo, Sarah Trinder.

Com menos biodiesel, há menos coproduto. “Os negociantes de glicerina bruta estão com a oferta tão apertada que alguns deles estão recomprando posições”, afirma Sarah.

Segundo os cálculos da analista, a tonelada do glicerol bruto já valorizou em €30 desde janeiro.

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Refinada

Esse cenário de oferta mais magra ainda não está impactando o mercado da glicerina refinada. Mas é uma questão de tempo. “A falta de glicerina bruta para ser refinada terá consequências sobre o mercado de refinada em algum momento”, acredita a analista do Icis.

Parece que, por aqui, a menor disponibilidade do glicerol bruto já começa de alguma forma a beneficiar o coproduto de maior valor agregado. Em março, as exportações de glicerina refinada tiveram seu melhor resultado mensal na história do país.

As vendas externas efetuadas pelo Brasil alcançaram 5,2 mil toneladas – incremento de 7% sobre o volume exportado em fevereiro. Já o faturamento do país com a comercialização do coproduto refinado também se revelou 12,7% superior. A receita gerada foi de US$ 2,1 milhões.

Trimestre

Neste primeiro trimestre do ano, o Brasil já exportou cerca de 70 mil toneladas de glicerina – 54,5% a mais que no mesmo período em 2014. Do total do volume enviado para fora do país nos primeiros três meses de 2015, 82,3% corresponde a glicerol bruto.

Embora tenha rompido o ano num ritmo mais lento – registrando em janeiro um recuo de 26,6% sobre as exportações de dezembro –, o mercado brasileiro de glicerina rapidamente recobrou o fôlego [veja gráfico].

Já no mês seguinte, o país negociou junto ao mercado externo um volume de glicerina 57% superior ao de janeiro. Esse resultado foi provocado por uma maior comercialização tanto do glicerol bruto como do refinado.

Em março, as exportações voltaram a cair, mas sem prejuízos para o Brasil, graças à valorização da glicerina bruta.

Essa trajetória um pouco oscilante das exportações brasileiras é reflexo da instabilidade que permeia o mercado internacional, que se encontra afetado por uma oferta mais restrita do coproduto. Contudo, segundo a Icis, essa situação deve se estabilizar a partir deste trimestre, cuja projeção é de uma produção de biodiesel um pouco mais robusta.

A indústria do biodiesel responde por mais de metade da oferta global de glicerina. Em geral, cada litro de biodiesel fabricado rende 100 ml de glicerina.
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