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Brasil precisa investir em energia renovável

coluna ubrabio

O nível elevado de poluição do planeta nos últimos anos tem colocado acordos climáticos no topo das discussões globais sobre a contribuição de cada nação para mitigar as emissões de carbono e outros gases poluentes.

Edição de Dez / Jan 2014 5 min de leitura

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O nível elevado de poluição do planeta nos últimos anos tem colocado acordos climáticos no topo das discussões globais sobre a contribuição de cada nação para mitigar as emissões de carbono e outros gases poluentes.

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O nível elevado de poluição do planeta nos últimos anos tem colocado acordos climáticos no topo das discussões globais sobre a contribuição de cada nação para mitigar as emissões de carbono e outros gases poluentes.
 
No Brasil e no mundo, a poluição tem causado mortes, doenças e altos gastos hospitalares. O material particulado presente no ar, decorrente da combustão de combustíveis fósseis, penetra nos pulmões, na corrente sanguínea e pode provocar doenças cardíacas, câncer de pulmão, asma e infecções respiratórias. De acordo com a Climatempo, maior empresa de metereologia da América Latina, só no estado de São Paulo a poluição do ar foi responsável por 17.500 mortes em 2011 e gerou R$ 246 milhões em gastos públicos com hospitais e internações. Entre 2012 e 2030, estima-se que muitas vidas ainda devem ser perdidas: cerca de 250 mil ou, em média, 35 mortes por dia.

A COP 20, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, começou no início deste mês com o objetivo de gerar um acordo multilateral que obriga as nações ao corte da emissão de gases de efeito estufa a partir de 2020. No 5º Relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), consta que o uso de energias renováveis precisa aumentar e a extinção de combustíveis fósseis deve acontecer até 2100. No cenário brasileiro, o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE-2023) indica que a participação das fontes renováveis representará 42,5% da produção em 2023. Recente relatório do Banco Mundial coloca a descarbonização da economia global como a principal prioridade da humanidade para preservar o planeta das consequências imprevisíveis que ameaçam seu futuro.

Chamamos atenção para os dados referentes ao setor energético, responsável hoje por 30% das emissões, segundo a edição 2014 do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), em 2010 45% da energia brasileira era proveniente de fontes renováveis (hidráulica, eólica, solar e biocombustíveis). Hoje, esse percentual é de 41%.

Está claro que reduzir a queima de combustíveis fósseis contribui sensivelmente para alcançar os objetivos mundiais no que se refere à manutenção da vida no planeta. Nesse sentido, o biodiesel é um forte vetor nacional na escala da transição para o desenvolvimento de baixo carbono. A mistura de 7% do biocombustível ao diesel fóssil (B7), vigente no país desde 1º de novembro, reduz as emissões de CO2 provenientes do diesel em 5%, evitando a liberação de aproximadamente 9 milhões de toneladas de CO2 ao ano na atmosfera, o equivalente ao plantio de cerca de 50 milhões de árvores. Tendo como base o B7, o PDE-2023 projeta um crescimento de 6,4% ao ano para o biodiesel, chegando a um consumo de 5,4 milhões m³. A agregação do Biodiesel Metropolitano (B20) e outros mercados facultativos como o B+ e o B Agro poderão elevar ainda mais essa participação.

A aprovação de um novo Marco Regulatório para o Setor de Biodiesel que dê previsibilidade de ampliação da demanda por meio da progressão gradual da mistura (de B7 para B8, B9, B10) é imprescindível para o país avançar na substituição dos combustíveis fósseis por energia renovável. O estímulo à produção e ao uso de biocombustíveis compreende uma plataforma brasileira de soluções climáticas que tenha condições e garantias para funcionar imediatamente. Essa é uma proposta que discutimos agora com o governo por meio do Programa Nacional de Plataformas do Conhecimento (PNPC), que pretende solucionar grandes problemas do país nos próximos 10 anos. Nessa discussão a Ubrabio aliou-se à Embrapa Agroenergia para conseguir dar contribuições durante os quatro anos do novo governo.

Nosso esforço em desenvolver na matriz energética nacional combustíveis limpos e renováveis com cadeias produtivas de alto valor agregado, geração de emprego e renda, impactos positivos na balança comercial e qualidade de vida à população continua pautado nas tão urgentes questões ambientais. Queremos garantir à sociedade melhoria na qualidade do ar, gerar bem-estar e cooperar para o futuro sustentável do país e do planeta, baseadas na inovação e no conhecimento pautando as ações e as decisões do governo, da sociedade e do setor produtivo.

Na próxima coluna teremos a honra de compartilhar este espaço com o Dr. Manoel Teixeira Souza Junior, que acaba de ser reconduzido na chefia geral da Embrapa Agroenergia por mais três anos, para ilustrarmos nossos leitores a respeito do PNPC.

*Juan Diego Ferrés é presidente do Conselho Superior da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene - UBRABIO

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