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Camera entra com pedido de recuperação judicial e estuda venda de suas usinas de biodiesel
Camera entra com pedido de recuperação judicial e estuda venda de suas usinas de biodiesel
Cátia Franco, de São Paulo
Em setembro, cresceram as chances de o setor perder um dos seus mais importantes players, a Camera. No intervalo de uma semana, os advogados da empresa entraram com pedido de recuperação judicial na Vara de Falências da Comarca de Porto Alegre e a Camera admitiu, por meio de seu diretor-superintendente, Roberto Kist, que estuda vender as suas usinas de biodiesel de Ijuí e Estrela – as duas localizadas no Rio Grande do Sul.
Ambas as medidas visam a reverter a crise financeira assumida pela empresa no final do ano passado, quando anunciou que ficaria fora dos leilões da ANP ao longo do primeiro semestre de 2014. Segundo o diretor da Camera, a turbulência enfrentada pela companhia ainda é produto da quebra de produção da soja ocorrida na safra 2011/12, num momento em que os preços da oleaginosa estavam sob muita pressão – efeito que se estendeu por 2013.
“O preço praticamente dobrou em muito pouco tempo, o que aumentou a demanda sobre nosso capital de giro e comprometeu nossos resultados”, assumiu Kist.
“Isso está dentro de um projeto de reestruturação da empresa que estamos conduzindo desde setembro do ano passado. Vamos diminuir as operações e retornar ao foco original”, conta Kist, garantindo que já há interessados para todas as unidades que a empresa cogita passar para frente.
Segundo o diretor da empresa, a ideia não é se desligar por completo do setor industrial. “A gente vai voltar a ser, essencialmente, uma cerealista, mas não vamos abandonar a indústria”, assegura.
Em seguida, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial e revelou a intenção de vender parte de suas unidades industriais. Para a companhia, ainda é cedo para se falar em despedida do ramo de biodiesel. “Falar que vamos sair [do setor de biodiesel] é precipitado, mas pode acontecer. Por enquanto, estamos só fazendo um downsize”, pondera o diretor, argumentando que o plano de reestruturação ainda não está totalmente delineado.
A dúvida persiste, até porque a empresa tem duas usinas completas de biodiesel. Embora apenas a de Ijuí se encontre em plenas condições de funcionar – a unidade de Estrela ainda não possui as autorizações de operação e comercialização –, a Camera era dona de uma terceira usina de biodiesel em Rosário do Sul (RS), que foi desativada em janeiro de 2013 e desmantelada para que seu maquinário fosse realocado para Estrela, onde a empresa já possui uma processadora de soja e uma fábrica de metilato de sódio montada em parceria com a DuPont.
Mesmo diante das perspectivas pouco otimistas, é muito arriscado traçar qualquer prognóstico acerca da permanência ou não da Camera no segmento. É difícil prever como ela reagirá ao cenário que emergirá com a entrada do B7, agora em novembro, altamente influenciada por um quadro de queda acentuada das cotações dos óleos vegetais. Num processo de recuperação, o tempo tem certa importância.
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Cátia Franco, de São Paulo
Em setembro, cresceram as chances de o setor perder um dos seus mais importantes players, a Camera. No intervalo de uma semana, os advogados da empresa entraram com pedido de recuperação judicial na Vara de Falências da Comarca de Porto Alegre e a Camera admitiu, por meio de seu diretor-superintendente, Roberto Kist, que estuda vender as suas usinas de biodiesel de Ijuí e Estrela – as duas localizadas no Rio Grande do Sul.
Ambas as medidas visam a reverter a crise financeira assumida pela empresa no final do ano passado, quando anunciou que ficaria fora dos leilões da ANP ao longo do primeiro semestre de 2014. Segundo o diretor da Camera, a turbulência enfrentada pela companhia ainda é produto da quebra de produção da soja ocorrida na safra 2011/12, num momento em que os preços da oleaginosa estavam sob muita pressão – efeito que se estendeu por 2013.
“O preço praticamente dobrou em muito pouco tempo, o que aumentou a demanda sobre nosso capital de giro e comprometeu nossos resultados”, assumiu Kist.
Medidas cautelares
Com o pedido de recuperação judicial, a Camera planeja ganhar tempo para concluir o seu processo de reestruturação. Já com a venda de parte de seu complexo industrial – à exceção de uma unidade de esmagamento de soja e da fábrica derações, a empresa admite a possibilidade de se desfazer de todo o parque industrial, incluindo as usinas de biodiesel –, a Camera pretende retornar às origens. Fundada no início da década de 70, a empresa teve como vocação primária a produção e comercialização de grãos. Com o tempo, passou investiu na diversificação de seu portfólio de operações industriais.“Isso está dentro de um projeto de reestruturação da empresa que estamos conduzindo desde setembro do ano passado. Vamos diminuir as operações e retornar ao foco original”, conta Kist, garantindo que já há interessados para todas as unidades que a empresa cogita passar para frente.
Segundo o diretor da empresa, a ideia não é se desligar por completo do setor industrial. “A gente vai voltar a ser, essencialmente, uma cerealista, mas não vamos abandonar a indústria”, assegura.
Adeus?
Desde que a empresa assumiu publicamente a crise financeira, a situação só se agravou. Depois de um semestre fora dos certames, a Camera voltou a concorrer no L36. Registrou até um bom desempenho no leilão seguinte, o L37, quando negociou 20 milhões de litros a um preço médio de R$ 1,82 por litro. Parecia ser uma retomada. Mas no L38 a usina voltou a dar sinais de fragilidade, computando a venda de minguados 855 mil litros de biodiesel a um preço médio de R$ 2,04.Em seguida, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial e revelou a intenção de vender parte de suas unidades industriais. Para a companhia, ainda é cedo para se falar em despedida do ramo de biodiesel. “Falar que vamos sair [do setor de biodiesel] é precipitado, mas pode acontecer. Por enquanto, estamos só fazendo um downsize”, pondera o diretor, argumentando que o plano de reestruturação ainda não está totalmente delineado.
A dúvida persiste, até porque a empresa tem duas usinas completas de biodiesel. Embora apenas a de Ijuí se encontre em plenas condições de funcionar – a unidade de Estrela ainda não possui as autorizações de operação e comercialização –, a Camera era dona de uma terceira usina de biodiesel em Rosário do Sul (RS), que foi desativada em janeiro de 2013 e desmantelada para que seu maquinário fosse realocado para Estrela, onde a empresa já possui uma processadora de soja e uma fábrica de metilato de sódio montada em parceria com a DuPont.
Mesmo diante das perspectivas pouco otimistas, é muito arriscado traçar qualquer prognóstico acerca da permanência ou não da Camera no segmento. É difícil prever como ela reagirá ao cenário que emergirá com a entrada do B7, agora em novembro, altamente influenciada por um quadro de queda acentuada das cotações dos óleos vegetais. Num processo de recuperação, o tempo tem certa importância.
