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O upgrade da glicerina


Edição de Jun / Jul 2014 - 13 abr 2014 - 17:49 - Última atualização em: 12 mar 2015 - 10:37
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Pesquisa da Universidade de Michigan identifica bactéria capaz de transformar glicerina em etanol

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Pesquisa da Universidade de Michigan identifica bactéria capaz de transformar glicerina em etanol


Cátia Franco, de São Paulo

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual do Michigan, nos Estados Unidos, pode tornar o processo de produção de biodiesel mais sustentável. Os cientistas descobriram duas bactérias que, quando atuam em conjunto, são capazes de transformar glicerina em etanol.

A ideia é incorporar essas bactérias a uma nova plataforma tecnológica que permita às usinas de biodiesel converterem seu coproduto em etanol. Isso permitiria aos fabricantes substituir o metanol derivado de fontes fósseis usado nos processos convencionais de produção de biodiesel por etanol renovável fabricado internamente.

O metanol é o segundo insumo mais importante da indústria de biodiesel, perdendo somente para os óleos e gorduras.

Metodologia

As duas bactérias identificadas pelos pesquisadores cumprem funções distintas dentro do processo. Uma delas fermenta o glicerol, transformando-o em etanol, enquanto a segunda metaboliza todos os resíduos gerados pela primeira, produzindo pequenas quantidades de eletricidade.

“Deu algum trabalho, mas, num certo momento, conseguimos desenvolver um par robusto de bactérias. Nós modificamos cada uma delas para trabalhar em conjunto e eliminar todo o resíduo. É uma situação ganha-ganha”, explica a microbióloga Gemma Reguera, da MSU.

Os cientistas da Universidade de Michigan avaliam também poder captar, por meio de uma célula de eletrólise microbiana (MEC na sigla em inglês), a eletricidade gerada e usá-la na quebra de moléculas de água para a geração de hidrogênio de baixo custo. A substância poderia ser comercializada como combustível renovável ou como insumo para diversas indústrias químicas.

Como o intuito é disponibilizar a tecnologia em escala comercial, os pesquisadores de Michigan já estão em contato com investidores para o desenvolvimento de protótipos.