BiodieselBR
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Alta dos combustíveis

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Apesar do mais recente aumento no preço dos combustíveis, os problemas de caixa da Petrobras permanecem inalterados
Edição de Dez / Jan 2014 4 min de leitura
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Apesar do mais recente aumento no preço dos combustíveis, os problemas de caixa da Petrobras permanecem inalterados

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Apesar do mais recente aumento no preço dos combustíveis, os problemas de caixa da Petrobras permanecem inalterados


Fábio Rodrigues, de São Paulo

Depois de meses de indefinição, a Petrobras finalmente anunciou o novo aumento dos combustíveis – a gasolina vai subir 4% e o óleo diesel vai ficar 8% mais caro. O anúncio foi realizado no dia 29 de novembro. Essa foi a terceira alta do óleo diesel deste ano – o combustível foi reajustado em janeiro (5,4%) e, depois, em março (5%).

Se somados, esses aumentos todos chegam a 19,5%. Mesmo assim, o mercado não ficou convencido de que a Petrobras vai conseguir recuperar a rentabilidade, e as ações ordinárias da estatal despencaram quase 10,4% no dia seguinte ao anúncio. Essa foi a maior perda nos papéis da petroleira desde novembro de 2008.

O grande nó está nas importações de derivados de petróleo – especialmente nas de óleo diesel, que, até outubro, já somavam 8,5 bilhões de litros a um custo de US$ 6,9 bilhões. Como parte do esforço para controlar a inflação, o governo federal tem feito com que a estatal não repasse as variações das cotações internacionais para o mercado interno.

Essa situação tem sido apontada como o principal motivo para a queda na lucratividade da Petrobras. O lucro líquido da estatal foi de R$ 3,4 bilhões no 3º trimestre, 45% abaixo do apresentado no trimestre anterior.

Há muito tempo o setor de biocombustíveis critica a forma como o governo federal usa o caixa da Petrobras para amortecer o custo dos combustíveis fósseis. De acordo com os críticos dessa prática, ela aumenta o consumo de combustíveis sujos de fora do país ao mesmo tempo em que coloca de lado biocombustíveis nacionais.

Gatilho

Para tentar resolver de vez essa situação, a diretoria da companhia está pleiteando a criação de um novo sistema de precificação que permita reajustar automaticamente os preços no mercado nacional em função das importações. A ideia, segundo o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, é permitir que os preços nos mercados nacional e internacional entrem em convergência mais rapidamente.

Entretanto, essa proposta vem encontrando forte resistência dentro do Ministério da Fazenda – o titular da pasta, Guido Mantega, é o presidente do Conselho Administrativo da companhia –, que teme que ela tenha um efeito indexador na inflação brasileira.

A estatal obteve pelo menos uma vitória parcial na reunião de seu conselho administrativo realizada no último dia 29 de novembro, com a adoção de uma nova sistemática no cálculo usado para determinar os preços dos combustíveis, tendo como referência os preços do mercado internacional, a taxa de câmbio do momento e a origem do produto vendido. Os aumentos, contudo, não serão automáticos como a empresa desejava.

Biodiesel

Uma maior aproximação entre os preços cobrados pelo diesel convencional e o biodiesel é apontada com um dos fatores que poderiam jogar a favor para que o governo federal apresentasse o novo marco regulatório e permitisse aumentos na mistura obrigatória.

Dados apresentados pelo diretor de energias renováveis do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, durante a Conferência BiodieselBR 2013 indicam que o diferencial de preço entre o biodiesel e o diesel comum já havia caído abaixo dos 20 centavos por litro nos estados do Sul e do Centro-Oeste durante o período de entregas do 32º Leilão da ANP. No Mato Grosso, inclusive, o litro do biodiesel teria ficado dois centavos mais barato do que o combustível fóssil.

Segundo Dornelles, estaríamos cada vez mais perto do ponto em que novos aumentos na mistura praticamente não teriam qualquer efeito inflacionário
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