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Resultado do PNPB: teoria x prática


Edição de Abr / Mai 2012 - 19 abr 2012 - 16:58 - Última atualização em: 24 abr 2012 - 16:40
Instituto do governo concluiu que os resultados alcançados com o programa de biodiesel se distanciaram das diretrizes propostas

Fábio Rodrigues, de São Paulo

No início de março o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) publicou o estudo “Biodiesel no Brasil: desafios das políticas públicas para a dinamização da produção”. Este trabalho fez um levantamento da situação do setor de biodiesel no Brasil e dos resultados obtidos até o momento com o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB).

Além de ressaltar a elevada ociosidade do setor, o estudo apontou que o programa não tem tido sucesso em fazer suas práticas coincidirem com as premissas que balizaram sua criação. “Há uma defasagem entre as diretrizes do PNPB e os resultados obtidos”, resume o o pesquisador Gesmar Santos, um dos responsáveis pela pesquisa. Destaca-se que houve falhas na inserção da agricultura familiar, na regionalização da produção e no desenvolvimento de matérias-primas alternativas à soja.

Para os pesquisadores do órgão, o grande gargalo da indústria é sua excessiva dependência em relação à soja, que responde por mais de 80% do volume fabricado. Neste aspecto, o texto chega a alertar que cada novo aumento no percentual de biodiesel misturado ao diesel mineral distancia o PNPB de suas metas originais de regionalização e geração de renda no campo.

Por gerar menos empregos no campo do que outras oleaginosas, a soja tem sido uma das responsáveis pelos resultados relativamente fracos de inclusão da agricultura familiar obtidos até o momento.

Uma das recomendações do Ipea é aumentar os investimentos em pesquisa, tanto para viabilizar o plantio de oleaginosas com boa produtividade no Norte e no Nordeste, como para ampliar o domínio tecnológico brasileiro sobre esse biocombustível.

Mais detalhes sobre o tema e o estudo na íntegra no endereço: www.bit.ly/ipea12