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Risco inflacionário


Edição de Ago / Set de 2011 - 15 ago 2011 - 12:16 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 16:15
Conclusão incompleta de estudo da FGV levou usinas a repetir o argumento de que o biodiesel tem um impacto mínimo na inflação

Fábio Rodrigues, de São Paulo

Segundo o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles, o impacto do biodiesel na inflação “tem valor considerável”. A declaração foi dada durante a audiência pública realizada pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado Federal em 14 de julho.

Para justificar a solicitação de novos aumentos na mistura obrigatória, os produtores de biodiesel costumam ter sempre a tiracolo uma cópia do estudo publicado em outubro passado pela FGV Projetos. O trabalho calcula o impacto inflacionário direto do biodiesel entre 0,00021 e 0,00034 ponto percentual ao ano. Em tese, isso permitiria que o governo aumentasse a mistura sem grandes riscos inflacionários.

No entanto, Dornelles informou que o governo possui ressalvas em relação a essa afirmação. Quando o trabalho da FGV fala sobre a influência do biodiesel na inflação, é citado apenas o impacto direto. E, nesse caso, ele pode ser considerado pequeno “porque o diesel não é um produto cotado diretamente na apuração dos índices de inflação”. Portanto, seriam os impactos indiretos que realmente pesariam. “Não soa bem imaginar que um aumento do preço do diesel não traz reflexos na inflação. Não é lógica uma colocação dessas”, finalizou o diretor do MME.