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Marco legal: Preços e tempo


Edição de Jun / Jul de 2011 - 04 ago 2011 - 14:11 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 10:13

Preços

Apesar da tentativa de aumentar a mistura obrigatória de biodiesel no país, o mercado sabe, por outro lado, que ainda tem alguns desafios a enfrentar. Um deles é achar soluções rápidas para problemas de qualidade que começaram a aparecer nas bombas conforme a adição de biodiesel foi se tornando maior (veja a reportagem sobre o tema na página 46 desta edição de BiodieselBR).

Outra preocupação diz respeito ao preço para o consumidor final. Afinal, o custo de produção do diesel vegetal ou animal continua sendo mais alto do que o do combustível tradicional. Novas adições poderiam deixar o diesel mais caro, o que não apenas traria um peso a mais para quem usa o combustível, mas poderia provocar reflexos nos preços dos produtos transportados por caminhões. E o crescimento da inflação é uma das maiores preocupações da nova presidente.

No entanto, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), não há razão para imaginar que os preços subiriam significativamente com o aumento do nível de diesel renovável. Muito menos, segundo o Dieese, há riscos para a inflação.

O peso do diesel no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 0,0762, bastante inferior ao da gasolina (3,9681) e ao do etanol (0,4419). “O diesel impacta mais nas empresas, no atacado. Para o consumidor final não chega a ter um impacto tão significativo”, explica o economista Sandro Silva, do Dieese.

Com o fantasma da inflação rondando, o governo confirma a preocupação com o impacto do biodiesel. “O aumento da gasolina influencia para pior. O biodiesel tem um preço de matéria-prima que está em alta. Fica sempre a dúvida. Se aumentar o percentual, pode aumentar o preço final e o impacto é positivo nos preços”, diz Arnoldo de Campos, coordenador do Programa de Biodiesel do Ministério do Desenvolvimento Agrário. “Tudo que o governo puder fazer para evitar a inflação, vai fazer. Há uma cautela muito grande”.

A perspectiva de o diesel ter um preço mais alto na bomba deixa os técnicos do governo apreensivos. “O pessoal está segurando. É um fator que faz o governo refletir. A primeira pergunta que se faz numa reunião é sobre o preço. E as simulações no mercado futuro mostram que o cenário não é de queda de preço”, explica Campos.

Para Silva, do Dieese, o problema é que o mercado brasileiro tem uma tradição de repassar aumentos rapidamente para o consumidor. “Sempre que tem aumento, o reflexo no preço final é quase instantâneo, mas, quando a tendência se reverte, demora muito para que o preço caia”, indica. O diesel vem de um histórico de estabilidade nos últimos anos. “É um combustível que teve até queda de preço em 2009, e desde então ele se mantém”, detalha.

Tempo

BiodieselBR teve dificuldades em conseguir informações com diversos setores do governo sobre a questão. O futuro do biodiesel parece estar em uma encruzilhada, e este é um momento de decisão entre os gestores do PNPB.

No fundo, todos querem que o biodiesel evolua o mais rápido possível, alcançando novos patamares, inclusive o governo e as distribuidoras. O que falta, ao que parece, é saber qual a medida da pressa que a nova gestão federal terá para aumentar as metas da indústria e se esse é mesmo o ritmo desejado pelas usinas. Para saber isso, porém, será preciso esperar o próximo capítulo do PNPB, que pode ter início em alguns meses ou em alguns anos.

A extensão deste período vai depender do interesse do alto escalão do governo. Até agora, a melhor oportunidade criada para atrair essa atenção política foi a iniciativa da Casa Civil com o ciclo de reuniões. O relatório que será feito ao final dessa iniciativa e, principalmente, o que será feito com ele, pode ser decisivo.