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Dendê em falta


Edição de Jun / Jul de 2011 - 04 ago 2011 - 14:15 - Última atualização em: 22 dez 2011 - 10:07
Principal aposta do governo para diminuir a dependência da soja enfrenta problemas. Escassez de mudas é um dos principais

Fábio Rodrigues, de São Paulo

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) reconhece que o Programa de Produção Sustentável de Palma de Óleo ainda precisa resolver uma série de impasses antes que a produção de dendê no Norte do Brasil possa decolar.

A falta de mudas de dendê no mercado é hoje uma das principais dificuldades enfrentadas por aqueles que pretendem investir pesado no desenvolvimento da planta. Esta situação, provocada pela rápida expansão da cultura mundo afora, era um dos problemas antecipados até mesmo no material oficial que o Mapa distribuiu para divulgar o programa de plantio da palma.

Para tentar suprir essa demanda, a Embrapa está investindo pesado na ampliação de sua capacidade de produção de sementes e buscando parceiros do setor privado que queiram licenciar suas tecnologias.

O governo flexibilizou recentemente as regras para importação de mudas de fora do país, mas esta opção ainda esbarra em dificuldades burocráticas. Segundo Marcello Brito, diretor do Grupo Agropalma (maior produtor brasileiro de palma de óleo), alguns processos de importação “chegam a demorar entre três a cinco anos”. O presidente da Biovale, Silvio Maia, também ressalta que tem “dificuldade de obtenção das permissões de importação para estas sementes”, disponíveis em países asiáticos onde os plantios de palma têm reduzido sua marcha de expansão nos últimos anos, como por exemplo a Indonésia.

A cautela do governo é justificada pelo receio de que junto com essas mudas internacionais acabe vindo alguma praga. O chefe geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães, ressalta que sem os devidos cuidados a palma poderia repetir a tragédia que se abateu sobre as lavouras de cacau da Bahia, quase dizimadas por um fungo chamado vassoura-de-bruxa.

De acordo com as projeções do Mapa, em cinco anos a capacidade de produção de sementes e mudas deve igualar a demanda. Até lá, os investidores precisam de paciência e muito planejamento para manter seus cronogramas de plantio em dia.