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Acidente em usina


Edição de Jun / Jul de 2011 - 24 jun 2011 - 08:41 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 09:58

No dia 11 de abril ocorreu uma explosão no parque industrial da Oleoplan. O acidente matou um dos trabalhadores da usina e feriu outros dois sem maior gravidade. Localizada no município de Veranópolis (RS), a Oleoplan é a maior usina de biodiesel do Brasil, com capacidade de produção estimada em 378 milhões de litros.

De acordo com o relato divulgado no mesmo dia pelo Corpo de Bombeiros de Veranópolis, o acidente aconteceu por volta das 10h45. Imediatamente, uma unidade de combate a incêndios e outra de resgate foram enviadas para a usina e, como não houve incêndio, a situação pôde ser rapidamente controlada.

A explosão aconteceu num dos tanques de armazenamento da água utilizada no processo de lavagem do biodiesel. Embora o laudo oficial sobre o caso ainda não tenha sido divulgado pela direção da companhia, a reportagem de BiodieselBR apurou que o cenário mais provável é que o acidente tenha sido provocado durante um trabalho de soldagem realizado naquele tanque. Como a água que sai da lavagem do biodiesel costuma apresentar resíduos de metanol, é possível que o tanque tenha acumulado gases que se inflamaram, provocando a explosão.

Um rápido levantamento do histórico de acidentes industriais ocorridos nas usinas de biodiesel revela que metade das ocorrências graves e 100% das mortes foram supostamente provocadas por operações de soldagem de tanques mal sucedidas. O pior acidente do setor aconteceu em março de 2009, quando informações indicaram que a soldagem num tanque de glicerina da Binatural terminou numa explosão que matou três operários.

Segundo Marcelo Stenzel, diretor de serviços industriais da SGS – empresa que fornece serviços de verificação, inspeção, teste e avaliação para indústrias –, o uso da solda em ambientes industriais é praticamente inevitável. “Tem válvulas que são soldadas diretamente nos tanques. Se uma delas apresenta qualquer problema, você não tem outra saída”, exemplifica. Para que esse tipo de procedimento não termine em tragédia é preciso sempre cercá- -lo de cuidados. “Normalmente as operações de manutenção são precedidas por uma permissão de trabalho em que o especialista em segurança da empresa verifica todas as condições da área onde vai ser realizado o serviço e coordena com as outras áreas para que tudo dê certo”, explica Stenzel. Segundo ele, é essa etapa preliminar que garante que os tanques ou tubulações que vão passar por consertos estejam vazios e sem a presença de gases perigosos na hora em que a equipe de manutenção chega.

De acordo com fontes ouvidas pela revista, todos os tanques de uma usina de biodiesel estão sujeitos a formação de gases. Isso exige que os reparos em qualquer equipamento sejam precedidos por uma série de procedimentos de segurança, que incluem esvaziamento, lavagem e dessolventização. Este último consiste na aplicação de um vapor úmido a 140ºC durante várias horas para assegurar a dispersão de qualquer substância potencialmente perigosa que possa ter se acumulado dentro dos equipamentos.

ANP

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) tem uma série de procedimentos que devem ser obedecidos sempre que um acidente de maior importância é registrado numa usina de biodiesel.

A usina tem até 48 horas para comunicar a ocorrência para a agência reguladora, que despacha um técnico para avaliar a situação da planta e emitir um parecer sobre suas condições de operação. Com base nesse relatório, a ANP pode decidir se a usina apresenta condições para voltar a operar com segurança ou se há necessidade de interdição para que sejam providenciados reparos. Segundo o diretor da Oleoplan, Marcos Melin Boff, a ANP foi bastante rápida e, no dia seguinte ao acidente, um de seus técnicos já estava no local para fazer a vistoria necessária. Como o incidente aconteceu numa área mais afastada do parque industrial, a planta pode continuar operando normalmente sem comprometer o cronograma de entregas do biodiesel.