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Matéria-prima: sob o domínio da soja


Edição de Abr / Mai de 2011 - 13 mai 2011 - 09:06 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 10:36
Apesar dos esforços para a diversificação de matérias-primas, a cada ano que passa a indústria brasileira de biodiesel fica mais dependente da oleaginosa

Ari Silveira, de Curitiba

Mesmo com todos os recursos investidos em pesquisas e com os esforços empreendidos na busca de oleaginosas alternativas, como a canola e a palma, a indústria nacional de biodiesel está cada vez mais dependente da soja. Ano após ano, o óleo extraído da planta, principal matéria-prima do combustível verde no país, amplia sua participação no mercado. Em 2010 essa tendência se confirmou: dados oficiais divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) revelam que 82% dos 2,35 bilhões de litros de biodiesel produzidos no Brasil foram obtidos a partir do óleo de soja. Foi um avanço de quase cinco pontos percentuais em relação aos 77,4% de 2009 e perto de dez sobre os 73,6% registrados em 2008.

Em 2010, com a necessidade de se produzir mais biodiesel em razão do aumento da mistura de biodiesel no diesel, cresceu a importância da soja, uma matéria- -prima abundante e com uma cadeia bem estruturada.

Em números absolutos, o setor de biodiesel utilizou 1,93 bilhão de litros de óleo de soja em 2010, o que praticamente iguala a soma do consumo nos dois anos anteriores. Foram esmagadas cerca de 9,6 milhões de toneladas só para produzir biodiesel, o equivalente a 14% da safra de soja 2009/2010.

Titular absoluto da segunda colocação entre as matérias-primas do biodiesel, o sebo bovino teve uma queda expressiva de participação de 2009 para 2010, recuando de 16,57% para 13,83%. No entanto, em termos absolutos, o volume de gordura animal utilizado aumentou consideravelmente. Foram 344 milhões de litros – 325 de sebo bovino, 18,1 de gordura suína e 0,94 de frango. As matérias-primas de origem animal, que incluem ainda a gordura de frango e de porco, fecharam o ano passado com 14,68% do volume de biodiesel produzido.

As usinas consumiram 341,2 mil toneladas de sebo bovino, aproximadamente 46% do que foi gerado nos frigoríficos do país. O principal fator que barra o crescimento dessa fonte ainda é o preço.

Apesar da concentração, a lista está mais diversificada. A relação de 2009 trouxe como novidade o óleo de amendoim, enquanto no ano passado apareceram pela primeira vez os óleos de nabo forrageiro e gergelim.