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Releilão: logística não é das melhores


Edição de Fev / Mar de 2011 - 03 mar 2011 - 09:13 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 11:04

Passeios?

Os releilões também estão por trás de uma questão que vem desconcertando o setor: a logística do biodiesel [para saber mais sobre o problema, leia a reportagem “Os passeios do biodiesel ”]. Através dos releilões, a Petrobras é a principal responsável pelo mapa de logística do setor. “A logística desse sistema não é exatamente das melhores. Às vezes você está em Goiás e eles te apresentam uma opção de planta no Rio Grande do Sul, é uma logística que não faz muito sentido”, considera Rodrigues.

Sergio Beltrão, da Ubrabio, aponta que a Petrobras precisa organizar os releilões de forma a minimizar os deslocamentos ao mesmo tempo em que balanceia a relação de oferta e demanda em nível regional – coisa, evidentemente, nada simples. Além disso, levando em conta que parte do diesel mineral brasileiro ainda é importado e atravessa oceanos para chegar aqui, os 2 ou 3 mil quilômetros que o biodiesel roda não são assim tão maus. “O sistema de distribuição de combustíveis no Brasil segue uma lógica de décadas atrás. A lógica da distribuição é a mesma do refino, que era a lógica do petróleo que estava no litoral ou chegava pelos portos. Como os biocombustíveis – tanto o etanol quanto o biodiesel – estão no interior por causa das matérias- primas, então a gente tem um problema com a racionalidade da logística”, resume o diretor da Ubrabio.

Todos reconhecem que o mercado livre é a tendência inevitável para o setor. Contudo, ainda há dúvidas de como poderemos nos desfazer do sistema de leilões e releilões. Em nota enviada por meio de sua assessoria de imprensa, o Sindicato das Distribuidoras Regionais Brasileiras de Combustíveis (Brasilcom) opina que a “sistemática dos ‘releilões’ representa o modo mais equilibrado de comercialização do biodiesel às distribuidoras, e conta com enormes benefícios, não apenas para o mercado como para a sociedade como um todo”. Ainda segundo a nota, os releilões garantem isonomia do mercado, evitando que empresas maiores comprem biodiesel para especular mais tarde e reduzindo o risco da montagem de esquemas de fraudes e de sonegação fiscal.