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O subproduto biodiesel: agricultura familiar


Edição de Out / Nov de 2010 - 15 out 2010 - 15:25 - Última atualização em: 18 jan 2012 - 17:30
Agricultura familiar
No caso da agricultura familiar, a mamona é hoje a principal oleaginosa alternativa à soja. A ascendência da mamona está diretamente relacionada ao trabalho da PBio, que fomenta a produção dessa cultura para 43.402 agricultores familiares no Nordeste e em Minas Gerais. No total, a PBio tem hoje contratados nos projetos de fomento 56 mil agricultores familiares. Para diversificar as fontes de suprimento agrícola para o biodiesel, a estatal presta assistência técnica e garante a compra da produção por preços superiores aos mínimos estabelecidos no mercado, mas ainda não utiliza essas matérias-primas alternativas para produção comercial do biocombustível nas indústrias de Quixadá (Ceará), Candeias (Bahia) e Montes Claros (Minas Gerais). “Nossas usinas têm flexibilidade para processar diferentes tipos de matérias-primas. O uso das oleaginosas alternativas à soja é de uma questão de escala de produção, produtividade e preço”, explica Janio Rosa, diretor de suprimento agrícola da PBio.

A subsidiária está ainda em fase de investimento em pesquisas para avaliar as potencialidades de diferentes culturas. “A PBio tem como estratégia produzir biodiesel de forma sustentável, desenvolver os mercados agrícolas nas regiões onde estão localizadas suas usinas e incluir a agricultura familiar nesta atividade. A empresa incentiva a diversificação de culturas, considerando as peculiaridades regionais, respeitando as experiências dos agricultores familiares e transferindo tecnologia e conhecimento sobre aquela cultura”, ressalta Rosa.

Inclusão e diversificação
Para João Luiz Pessa, presidente da Cooperbio, localizada no Mato Grosso, o selo Combustível Social que deveria estimular alternativas ainda é muito incipiente e precisa evoluir bastante. Para ele, é preciso conscientizar o agricultor familiar principalmente para que se organize em cooperativas e facilite as negociações. “É muito difícil uma empresa sentar para conversar com cem assentados. Se estiverem reunidos, ganham em escala e facilitam as negociações”.

A Cooperbio apóia o uso do caroço do algodão, crambe e girassol, mas critica a utilização de culturas perenes, como o pinhão-manso. “Nossa visão é que as matérias- primas têm que ser viáveis no Mato Grosso, aproveitando a estrutura de terra, tecnologia e produção. As culturas perenes, se não derem certo, comprometem a renda do homem do campo”, explica Pessa.

O MDA projeta para 2015 uma produção de matéria-prima diversificada da ordem de 50% em opção à soja. Será que o Brasil consegue nos próximos cinco anos fazer o que não conseguiu nos cinco passados?

Este cenário otimista traçado pelo ministério não parece possível com o atual sistema no qual o PNPB está apoiado. Importantes modificações na comercialização de biodiesel e nas regras do selo social serão necessárias para o avanço do desenvolvimento sustentável deste biocombustível no Brasil.