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ANP orienta manuseio e armazenagem de blends diesel-biodiesel


Edição de Ago / Set de 2010 - 15 ago 2010 - 14:31 - Última atualização em: 22 dez 2011 - 17:04


Com apoio de vários representantes do governo, representantes das universidades e do mercado de combustíveis, inclusive dos produtores de biodiesel, a ANP está organizando um manual de manuseio e armazenamento de diesel B (que contém atualmente 5% de biodiesel). A seguir, destacarei os principais pontos desse manual, que possui suma importância para que o programa do biodiesel brasileiro siga crescendo sem ruídos e interpretações errôneas.

O diesel B (misturado com biodiesel) estocado por período superior a um mês, considerando suas condições de armazenagem, pode deteriorar-se, apresentando formação de material insolúvel. Mas é importante mencionar que com a presença de antioxidantes adequados e boas práticas de armazenagem, o biodiesel pode ser armazenado por mais de um ano sem qualquer problema. De fato, a presença de material insolúvel no combustível pode levar à obstrução de filtros e injetores, além de favorecer a formação de depósitos no sistema de combustão, problemas esses que já ocorriam com o diesel, muito antes do advento do biodiesel. O biodiesel e suas misturas com óleo diesel poderão apresentar formação de sedimentos decorrentes de reações de oxidação quando em contato com materiais à base de bronze, cobre, chumbo, titânio e zinco. Portanto, o uso desses metais deve ser evitado, tanto no transporte como no armazenamento do biodiesel e seus blends com diesel.

Por outro lado, o biodiesel é compatível com aço inoxidável e com alumínio. Os tanques utilizados na armazenagem devem apresentar-se limpos, secos e protegidos de luz e temperaturas extremas. Isso é importante para evitar a oxidação do combustível ou mesmo a incorporação de contaminantes. O armazenamento pode ocorrer em tanques subterrâneos ou aéreos, devendo ser observada a temperatura à qual o combustível será submetido. Após a lavagem de tanques, tubulações, bombas e filtros, o óleo diesel B deve ser circulado por todo o sistema, em volume adequado, para carrear resíduos remanescentes. Em seguida, deve-se drenar todo esse volume de forma a preparar o tanque para o recebimento do produto. O biodiesel pode dissolver ferrugem e outras impurezas provenientes de tanques de armazenagem e transporte e, apesar dos efeitos destes contaminantes serem menores no óleo diesel B, pelo seu baixo teor de biodiesel, faz-se necessária a checagem dos filtros periodicamente, de forma a inibir sua obstrução. A presença de ar nos tanques de armazenagem pode favorecer a oxidação do combustível. Portanto, como medida preventiva, é importante manter os tanques em seu limite máximo, reduzindo assim a quantidade de ar em contato com o combustível. É muito importante garantir a contínua renovação do conteúdo dos tanques de estocagem para limitar a presença de combustível envelhecido. A drenagem de produto remanescente no fundo do tanque de armazenagem, para a retirada de água, material microbiológico ou outras impurezas, deve ser feita regularmente. O biodiesel, por sua natureza química, possui um certo grau de hidrofilicidade. Essa característica tende a favorecer a incorporação de água ao produto, o que deve ser obviamente evitado. Quando o biodiesel é misturado ao óleo diesel, a água dissolvida no primeiro pode passar para a fase livre. A presença de água livre pode favorecer o crescimento microbiano de bactérias e fungos, podendo ocasionar o entupimento de filtros e corrosão metálica. A água livre presente nas tubulações e tanques de armazenagem pode ainda propiciar o crescimento microbiológico, gerando a formação da chamada “borra”. Portanto, algumas medidas preventivas devem ser incorporadas ao manuseio do combustível.

O mais importante seria garantir que os tanques e compartimentos de armazenamento e transporte estejam secos antes do abastecimento com o óleo diesel B. Deve-se checar periodicamente a presença de água, principalmente no fundo dos tanques. Outra dica importante é manter os tanques de armazenamento cheios para se minimizar a presença de oxigênio e vapor d’água.

O permanente diálogo entre todos os representantes da cadeia do biodiesel é fundamental para que sejam corrigidos os principais problemas desse programa tão importante para o país. A ANP tem sido uma base importante na construção dessa discussão de uma forma isenta e pró-ativa.

Donato Aranda é professor de engenharia química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e possui o título de comendador da Ordem Nacional do Mérito Científico.