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Camera: tudo pronto


Edição de Ago / Set de 2010 - 15 ago 2010 - 13:59 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 12:06
Tudo pronto

Com o processo da usina já encaminhado, a empresa começou a correr atrás da próxima fase: as autorizações da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) necessárias para entrar de vez em fase de produção. E chegou com pressa. “Nosso plano é conseguir todas as autorizações o mais rápido possível, terminar todos os trâmites, para poder participar já do próximo leilão de biodiesel da ANP”, afirma o gerente industrial Marcelo Landa Cardoso, responsável pela usina, que fica no município de Ijuí.

Em princípio, a unidade deve usar a soja como principal fonte de energia. Não necessariamente, porém, esta será a única matéria-prima. A soja poderá ser misturada à canola. E até mesmo a utilização de sebo bovino, ao qual a empresa também tem acesso com facilidade, está sendo considerada.

Segundo Kist, a Camera hoje vende a maior parte da produção de canola para a Bunge e a Cargill. “O biodiesel vai dar essa demanda que está faltando. O que vemos é que [o óleo de canola] chegou muito perto de se viabilizar. Acredito que em algum momento o MDA vai dar uma diferenciação no Selo para essa cultura e daí viabiliza”, aposta. Ele também acredita que o ganho na escala de produção do óleo pode contribuir para reduzir o preço do produto. “Hoje é caro porque não tem escala”, avalia o diretor.

Depois que o combustível estiver pronto, a Camera contará ainda com outro ponto positivo a seu favor: a localização da usina. O município de Ijuí é hoje sede de um porto seco construído pela própria empresa para facilitar a sua logística. E essas instalações serão usadas também na produção de biodiesel. “A cidade está dentro de um pólo logístico muito bom. No porto seco fazemos o transbordo de produtos para o porto de Rio Grande, que fica a 500 km, e também temos acesso fácil ao restante do Estado e a Santa Catarina”, explica Kist. O combustível poderá sair dali usando a integração das malhas rodoviária e ferroviária do Estado, facilitando inclusive a exportação.

A cidade de Ijuí também tem outra vantagem. “Temos uma distribuidora da Petrobras aqui e outra da Ipiranga numa cidade próxima”, aponta Landa. Tanta facilidade deve garantir uma logística fácil para o biodiesel produzido, espera a empresa. A cidade de Ijuí é pólo da produção de soja na região noroeste do Rio Grande do Sul. Segundo Landa, o entorno do município concentra 60% de toda área de cultivo de soja do Estado.

A empresa afirma que a produção de biodiesel não vai mudar bruscamente as suas outras operações. A idéia não é abandonar nenhum outro projeto nem diminuir as atividades em outros setores, e sim colocar uma possibilidade a mais no mix de negócios já disponível. “Vamos buscar o custo médio. A nossa empresa vem de um modelo de muita eficiência. A idéia é ganhar um pouco em cada operação, numa cadeia integrada de atuação”, revela Kist.

Será um negócio em que tudo é feito em casa, mas que nada tem de caseiro. A Camera chegou para tentar ser uma das grandes também no biodiesel.