018

Capacitação: cursos de especialização na área de biodiesel


Edição de Ago / Set de 2010 - 15 ago 2010 - 12:16 - Última atualização em: 19 jan 2012 - 12:12
Especialização
Com a pouca oferta de cursos de nível superior, os profissionais de áreas correlatas acabam buscando formação mais específica em cursos de especialização, MBA, mestrado e até doutorado.

Em Salvador, por exemplo, a Faculdade de Tecnologia e Ciências (Rede FTC) oferece desde 2008 o mestrado profissional em Bioenergia. A primeira turma está concluindo o curso este ano. Por ano, são iniciadas duas novas turmas, uma em março e outra em setembro. “O curso é novo, mas apesar disso a procura pelo processo seletivo deste ano está sendo bem maior do que na mesma época do ano passado, superando de forma bastante significativa nossas expectativas”, diz Leonardo Maestri Teixeira, coordenador da pós-graduação stricto sensu em Bioenergia da FTC.

As disciplinas do curso tratam de aspectos biotecnológicos como bioprodução, biodegradabilidade, biorremediação, prevenção de riscos ambientais, aproveitamento de resíduos para a geração de novos materiais e a gestão desses processos.

“O curso da FTC promove uma forte interação com grupos de pesquisa de dentro e fora da instituição, transformando a produção acadêmica em bens e serviços”, diz Teixeira. O objetivo do mestrado, segundo ele, é criar plataformas tecnológicas dinâmicas e flexíveis para atingir resultados práticos mais expressivos.

Os alunos que buscam esse tipo de especialização geralmente já se encontram no mercado de trabalho. “Isso para nós é bastante interessante, já que desta forma a pesquisa feita para a elaboração da dissertação é voltada a solucionar problemas ou demandas que o estudante já está vivendo no seu ambiente de trabalho”, diz Teixeira. Cursando o mestrado estão estudantes ligados a Petrobras, ANP, Comanche, Odebrecht, Ambev e Bosh.

Não é somente o setor produtivo que se beneficia com esse tipo de profissional. Um curso stricto sensu na área, por exemplo, contribui para a formação de um corpo docente qualificado, apto a dar aulas nos cursos de graduação e especialização em biocombustíveis que começam a surgir no país.

A falta de professores especializados fez com que surgisse outro perfil de mestrado. No Paraná, um curso stricto sensu foi criado recentemente de forma cooperativa entre 11 instituições de ensino e pesquisa. “Como nenhuma das universidades isoladamente possuía corpo docente suficiente para todas as disciplinas necessárias, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia decidiu montar uma rede de cooperação com várias instituições”, explica a coordenadora do curso, professora Carmen Luisa Barbosa Guedes, da UEL. Entre as instituições cooperadas estão as universidades estaduais de Londrina (UEL), de Maringá (UEM), do Centro-Oeste (Unicentro), do Oeste do Paraná (Unioeste) e de Ponta Grossa (UEPG), além de Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Embrapa e Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).

O curso, aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do Ministério da Educação (Capes/ MEC), no final do ano passado, teve sua primeira aula em março. “Apesar do período de divulgação do edital ter sido curto, a procura foi grande”, diz Carmen. Os 23 alunos matriculados farão disciplinas nas diferentes universidades da rede.

Os cursos de especialização na área também têm registrado boa procura. “A relação candidato por vaga sempre foi superior a seis”, diz o coordenador do curso de pós-graduação em Biodiesel do Instituto Federal Goiano (IF Goiano), professor Erwing Paiva Bergamo.

Inaugurado no segundo semestre de 2008, o curso possui grade curricular abrangente e multidisciplinar, com destaque para áreas de Ciências Agrárias, Ciências Exatas e da Terra, e Ciências Biológicas. São dez módulos ao todo, com carga horária de 380 horas (o curso é concluído em seis meses). As aulas, sempre presenciais, acontecem aos finais de semana.

O coordenador informa que a partir deste segundo semestre o curso deverá ser oferecido também no interior de São Paulo, no campus de Sertãozinho do IFSP. “Pesquisa extra-oficial realizada na região nordeste de São Paulo mostrou grande interesse da iniciativa privada em investir no curso, com a intenção de qualificar seus recursos humanos”, diz Bergamo.

Mercado
Quem trabalha com esse tipo de formação profissional afirma que ainda não é possível estimar com precisão a renda média de um profissional especializado na área, tendo em vista que suas habilidades e o campo de atuação estão em fase de consolidação. “Entretanto, sabemos que existe uma grande procura por profissionais especializados e que uma graduação em nível superior deverá contribuir para a oferta de salários significativamente maiores que os atualmente recebidos pelos diversos tipos de profissionais que atuam neste ramo de atividade”, diz Leda, da UFPR.

De acordo com Bergamo, do IF Goiano, a grande maioria dos alunos egressos da pós-graduação em Biodiesel está conseguindo melhores colocações em suas empresas. Ele diz que a renda média de um profissional especializado na área varia de acordo com a complexidade do cargo. Na área de Ciências Agrárias, por exemplo, o salário médio é de R$ 3.400. Na área de Ciências Exatas e da Terra, com atuação na produção de biodiesel e no controle de qualidade do combustível, os salários, segundo ele, variam de R$ 1.500 a R$ 8.000.

Com salários atrativos e a crescente demanda do mercado por profissionais especializados, não vai tardar para que os cursos na área se multipliquem pelo país afora nos próximos anos. E essa nova geração de especialistas poderá abrir caminhos para um setor mais competitivo e sustentável.