015

Rafael Menezes: MCT e Pesquisa


BiodieselBR.com - 18 fev 2007 - 15:59 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 10:51
Revista BiodieselBR Quanto o MCT pretende investir no setor em 2010?
Rafael Menezes
O Plano de Ação 2007/2010 prevê um investimento, em quatro anos, da ordem de R$ 304,47 milhões para uma linha de ação específica de apoio a pesquisa, desenvolvimento e inovação em biocombustíveis. Desse montante, R$ 196,9 milhões foram programados para o Programa de Ciência e Tecnologia do Etanol e R$ 107,57 milhões para o Programa de Desenvolvimento Tecnológico do Biodiesel. A previsão de investimentos no programa de biodiesel para o ano de 2010 é de R$ 34,32 milhões.

Em qual área temática os recursos do MCT estão mais concentrados?
Rafael Menezes
O foco principal foram estudos voltados para a produção de matéria-prima graxa para a produção de biodiesel, principal gargalo do PNPB.

Em 2008, assim como em anos anteriores, o MCT conseguiu atender uma pequena parcela da grande demanda dos pesquisadores. Como foi a relação entre demanda e atendimento no ano de 2009 e qual a expectativa para 2010?
Rafael Menezes
Realmente a demanda por projetos e o número de pesquisadores interessados em desenvolver pesquisas com biodiesel cresce a cada ano. Esse fato acompanha o crescimento da indústria do biodiesel no país e evidencia o sucesso do PNPB, que em apenas quatro anos conseguiu estruturar sua cadeia produtiva e disponibilizar em tempo recorde um novo combustível no mercado, com segurança e qualidade. Tenho certeza que o MCT vem conseguindo atender significativa parcela dessa demanda. Para se ter idéia, somente em 2008 o CNPq publicou cinco editais de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação voltados para a cadeia produtiva do biodiesel. De um montante de R$ 26 milhões, as ações receberam em quase sua totalidade recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). Contando com os editais do CNPq, foram investidos, somente em 2008, R$ 40 milhões de recursos do fundo (ações transversais 2008/2009 do MCT em biodiesel, e as ações planejadas já estão sendo executadas pelas suas agências, CNPq e Finep. Alguns editais já estão programados para 2010 e novas ações serão estruturadas juntamente com a Finep e o CNPq. No segundo semestre de 2010 será realizado o 4º Congresso da RBTB em Belo Horizonte, juntamente com o Congresso de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel promovido anualmente pela Universidade Federal de Lavras (Ufla).

Como está hoje a integração dos pesquisadores com as empresas privadas em relação aos anos anteriores?
Rafael Menezes
A integração vem aumentando, sendo possível observar excelentes resultados, alguns dos quais inclusive apresentados no último congresso da RBTB. Como exemplo, cito as relações de parceria e de apoio científico e tecnológico estabelecidas pelo Instituto Nacional de Tecnologia (INT) junto a várias empresas, e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) junto à Agropalma e à Quattor Petroquímica S.A. É importante sempre lembrar que no Brasil o desenvolvimento do biodiesel ocorreu no âmbito universitário, expandindo-se depois para o setor industrial.

Está sendo feito algum trabalho para aproximar mais as empresas e as universidades nas pesquisas com biodiesel?
Rafael Menezes
O congresso da RBTB se constitui num excelente instrumento de aproximação entre universidades e empresas. Infelizmente, as empresas ainda têm pouca tradição em participar desses eventos, que são bastante efetivos na apresentação dos trabalhos de pesquisa desenvolvidos. Essa pequena participação do setor industrial dificulta a implementação dos resultados das pesquisas acadêmicas junto ao setor industrial. Os poucos representantes do setor produtivo que têm participado dos congressos da RBTB têm estabelecido relações de parceria com universidades, sendo que em muitos casos temos observado que acadêmicos estão sendo contratados para auxiliar no desenvolvimento das empresas. O MCT executa vários instrumentos visando estimular essa cooperação. Entre os principais, destaco o Sistema Brasileiro de Tecnologia (Sibratec), que foi criado com a missão de proporcionar o desenvolvimento, a adaptação, a difusão e a transferência de tecnologias para unidades de produção; os incentivos fiscais baseados na Lei de Inovação (10.973/2004) e na Lei do Bem (11.196/2005); o Programa Nacional de Sensibilização e Mobilização para a Inovação (Pró-Inova), que tem como objetivo principal a difusão da cultura da inovação; e o Programa de Recursos Humanos para Atividades Estratégicas – Pesquisador na Empresa.