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Carros a diesel: limitações e dúvida


BiodieselBR.com - 19 fev 2007 - 14:49 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 10:46
Limitações
O lado menos brilhante dessa equação está no fato dos carros e motores diesel serem razoavelmente mais caros do que as versões convencionais. Uma pesquisa no site italiano da Fiat revela que o Punto 1.3 diesel (modelo mais básico oferecido) custa 1.350 euros a mais que a versão 1.4 a gasolina. E, pelo que dizem os especialistas ouvidos, não há uma tendência que aponte para a redução dessa diferença. “Um carro diesel sempre foi entre 10% e 15% mais caro do que um modelo compatível a gasolina ou álcool”, pondera o diretor da Netz Automotiva, Luso M. Ventura. A conclusão é a de que o carro diesel ocupa um nicho bastante seletivo de mercado. “Taxistas, donos de frotas de veículos e pessoas que precisem rodar muito teriam vantagens substanciais com a adoção do diesel”, garante Ventura.

Nos cálculos da SAE Brasil, o investimento adicional em um carro diesel só se paga para quem roda mais de 50 mil quilômetros por ano. “Com a vantagem extra de que são carros mais robustos e demandam menos manutenção”, completa Avanzini.

O preço do motor praticamente elimina qualquer risco de haver uma corrida às concessionárias com a liberação do carro a diesel e conseqüentemente uma explosão no consumo de diesel. É certo que haveria algum crescimento no consumo desse combustível, mas o difícil é saber de quanto ele seria. Não há dados recentes, mas Ventura destaca um estudo publicado pela FGV em 2000, que mostra que a liberação dos veículos de passeio a diesel provocaria um aumento total de 7% no consumo de diesel ao longo de dez anos.

O consumo de diesel no Brasil em 2009 deve fechar nos 44 bilhões de litros (a ANP não tinha consolidado os dados de dezembro até o fechamento desta edição). Portanto, a demanda adicional seria em torno de 3 bilhões de litros ou, levando em conta o B5, 154 milhões de litros de biodiesel adicionais. Não está mal, mas também não chega a empolgar, principalmente se mantivermos em mente que seria preciso esperar uma década inteira para tanto. Caso o projeto do Biodiesel Metropolitano seja realmente aprovado, as perspectivas desse novo mercado começarão a soar mais tentadoras.

Dúvida
Tudo isso dito, talvez tenha ficado uma pequena pulga atrás da orelha. Afinal, se o motor de ciclo Diesel é tão sem contra-indicações, por que os motores Otto ainda são predominantes? A resposta é: inércia! Embora hoje já não haja tanta diferença entre um e outro, há alguns anos a situação era bem diferente. Segundo o professor Velásquez, antes da introdução da tecnologia de injeção eletrônica, os motores diesel eram desconfortáveis. “Eles eram barulhentos e vibravam muito, um tipo de desconforto que as pessoas aceitavam em veículos de trabalho, mas não em seus carros pessoais”, resume. Ventura, da Netz Automotiva, confirma isso ao dizer que os veículos deixavam a desejar no quesito que os norte-americanos chamam de prazer em dirigir. “Hoje isso mudou bastante. O diesel é tão ou até mais confortável do que os outros veículos em alguns quesitos, como torque, por exemplo, no qual ele é superior”, completa.

Falando da Espanha, Prisch informa que, hoje em dia, quem tem “bom senso opta por um motor diesel”. “O combustível é mais barato, o veículo tem vida útil mais longa e é bem mais forte. O único problema dos motores diesel é que eles têm uma arrancada um pouco pior; mas como não sou corredor de Fórmula 1, não acho que faça diferença”, diverte-se.