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Brasil Ecodiesel: Rei morto, rei posto


BiodieselBR.com - 22 dez 2007 - 14:47 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:00
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Enquanto as más notícias a respeito da Brasil Ecodiesel iam se avolumando, a direção da companhia desenhava um Plano B. O momento- chave dessa virada foi a nomeação de José Carlos Aguilera como diretor-presidente, com a missão de tirar a Brasil Ecodiesel do atoleiro.

Aguilera não é um executivo típico, desses que passam anos a fio lapidando uma empresa, mas um profissional que construiu uma reputação por sua habilidade de prestar socorro a negócios que estejam em apuros. Ele é, por assim dizer, um paramédico do capitalismo. Foi essa expertise que acabou lhe rendendo o comando em maio de 2008.

Aguilera estava convencido que a empresa era viável desde que conseguisse renegociar o perfil de sua dívida. “O maior problema da Brasil Ecodiesel era de estrutura de capital. Ela tinha uma dívida alta e concentrada no curto prazo, mas se você montasse cenários nos quais o perfil da dívida fosse diferente e o capital de giro recomposto, era possível perceber que a empresa era capaz de ganhar dinheiro”, sintetiza.

Paradoxalmente, quando você precisa conseguir a colaboração de um bando de banqueiros, dever uma soma graúda é um excelente truque: o perigo de um calote milionário ajuda a semear boa vontade entre credores. Ter um plano sólido de reestruturação em mãos também ajuda. Aguilera tinha os dois e, dessa forma, conseguiu o volume necessário para reestruturar a dívida da Brasil Ecodiesel em agosto de 2008.

O timing da operação não poderia ter sido mais exato. Mais ou menos um mês depois de renegociada a dívida, o estouro da bolha do subprime norte-americano faria o crédito secar durante vários meses. Mesmo assim, a crise global acabou prolongando o processo de reestruturação da Brasil Ecodiesel por seis meses. No que dependesse do cronograma original traçado por Aguilera, a fatura teria sido liquidada já no começo de 2009.

Rei morto, rei posto
Enquanto isso, o antigo bloco de controle da companhia começava a se preparar para a retirada, condição considerada indispensável para a reestruturação da companhia. Na versão resumida, o desmanche do bloco começou em maio de 2008, quando a Eco Green Solutions deixou o acordo de acionistas e repassou as ações vinculadas para a Zartman e Nelson da Silveira. Em março de 2009, o próprio acordo foi extinto e a partir daí os antigos sócios-controladores começaram a diminuir sua participação na Brasil Ecodiesel.

A saída deles foi sacramentada com os aumentos de capital concluídos em junho e agosto passado, o primeiro no valor de R$ 104 milhões e o segundo no valor de R$ 315 milhões. Os principais credores da empresa se uniram no Fundo de Investimento em Participações Neo Biodiesel e trocaram suas dívidas pelo equivalente a 14,2% das ações da empresa. Como resultado, a Brasil Ecodiesel conseguiu reduzir suas dívidas em 2009 de quase R$ 300 milhões para R$ 93 milhões e ainda colocar R$ 190 milhões em dinheiro novo no caixa. “No mês seguinte a gente já faturou R$ 50 milhões, o que provava que nosso problema era mesmo de capital de giro”, conclui Aguilera.

A missão do executivo na Brasil Ecodiesel estava cumprida. No dia 17 de agosto passado, a direção da companhia passou para as mãos de Mauro Cerchiari, que auxiliou o Fundo Neo Biodiesel durante as negociações de reestruturação. Cabe a ele manobrar a empresa na direção de águas mais tranqüilas. No mesmo mês veio o resultado da ampla reestruturação financeira, com a retomada da liderança na produção de biodiesel: 21,25 milhões de litros, o melhor desempenho em 17 meses. Ao final do 3º trimestre a empresa apresentou faturamento de R$ 126,4 milhões, lucro de R$ 5,25 milhões e 98% de cumprimento com os volumes devidos à Petrobras. Apesar de o mercado ter esperado mais, foi o melhor trimestre da companhia.

“Com as capitalizações, a empresa recuperou a capacidade operacional e, do ponto de vista financeiro, estamos nos trilhos. O que estamos discutindo agora são questões estratégicas e estruturais de longo prazo para que a Brasil Ecodiesel responda aos desafios”, explica Cerchiari, acrescentando que a prioridade atual é tentar resolver a parte agrícola da equação produtiva. “Nossa dependência em relação ao óleo de soja nos deixa em situação delicada. Se quisermos ser competitivos no futuro precisamos de maior integração com a cadeia de suprimentos – seja através de terras próprias, parceria com agricultores intensivos ou agricultores familiares. Queremos ter acesso direto aos grãos”, diz o executivo.
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