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Patentes de biodiesel: correndo atrás


BiodieselBR.com - 02 set 2009 - 15:19 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:42
O crescimento no número de pedidos de patentes sobre biodiesel registrado pelo Brasil foi acima da média mundial, mas ainda estamos muito longe de países como China, EUA e Japão

Alice Duarte, de Curitiba

É certo que mudanças profundas só vêm depois de uma grande crise. Precisou nossa civilização se deparar com o colapso do petróleo e a terrível previsão de mudanças climáticas pelo efeito estufa para pesquisar alternativas aos combustíveis fósseis. Em termos de pesquisas na área de biodiesel, o Brasil saiu há pouco do zero e está agora correndo atrás do prejuízo. O ranking mundial dos pedidos de patentes ligados ao tema mostra que ainda estamos longe de países como China e Estados Unidos, mas a boa notícia é que nosso crescimento está bem acima da média internacional.

É o que revela o estudo “Mapeamento Tecnológico do Biodiesel e Tecnologias Correlatas, sob o enfoque dos pedidos de patentes”, da pesquisadora Cristina d’Urso de Souza Mendes, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). De acordo com esse trabalho, concluído no ano passado, e com o mais recente levantamento do Inpi, de junho, os pedidos de patentes de brasileiros relacionados ao biodiesel cresceram quase 20 vezes em um período de cinco anos, saltando de dois em 2003 para 36 em 2008. No mesmo período, o total de depósitos no mundo aumentou quase seis vezes, indo de 90 para 515.

No ranking internacional, o Brasil passou da 13ª posição para o quarto lugar no ano passado, logo atrás do Japão e à frente da Alemanha, maior produtor de biodiesel. A China foi o país que mais depositou patentes na área: 188 no total. Em seguida vêm Estados Unidos, com 125, e Japão com 60.

O patenteamento de pesquisas em biodiesel por brasileiros era incipiente até 2001. O crescimento se deu somente a partir de 2004, quando foi lançado o Programa Nacional da Produção e Uso do Biodiesel (PNPB). “Com o surgimento do programa notamos que o número de patentes de brasileiros vem crescendo a uma taxa maior que os demais países. Isso é um sinal que as políticas públicas estão surtindo efeito. O resultado é muito bom, mas podemos avançar mais”, diz a pesquisadora.

Amostragem
Entre 1996 e 2006, período de amostragem da pesquisa, a Petrobras foi a maior depositante entre os brasileiros, com sete pedidos de patentes. Em seguida vêm a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com cinco, e a Resitec Indústria Química, com dois. Já em relação aos pedidos de patentes feitos no Brasil (incluindo instituições ou empresas estrangeiras), destacam-se as americanas Lubrizol e Afton Chemical, fabricantes de aditivos (ambas com quatro), e multinacionais como Monsanto e Cargill (ambas com três).

“Nossa amostragem revelou que há uma forte concentração, entre as patentes de brasileiros, nas tecnologias de produção de biodiesel, desprezando outras utilidades, como composições e aditivos, catalisadores e aplicações automobilísticas. Nessas últimas lideram os Estados Unidos e a Alemanha”, diz Cristina.

Para chegar a estas conclusões, ela analisou mais de 7 mil documentos no mundo inteiro até chegar aos 4.197 pedidos de patentes sobre biodiesel depositados no período.

Para a pesquisadora, a produção de novas tecnologias e seu patenteamento são ações fundamentais para o Brasil ampliar a rentabilidade obtida com o biodiesel. Além disso, ela ressalta que o desenvolvimento das pesquisas é essencial para atender à demanda interna e evitar que, no futuro, o Brasil dependa de tecnologias estrangeiras, que poderiam encarecer o biocombustível. “Com o apoio financeiro e político que o governo está dando para a pesquisa, mais empresas vão poder atuar nessa área. Agora esperamos que as novas tecnologias patenteadas comecem a ser utilizadas no mercado”, diz.