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Cesbra Biodiesel: Novos investimentos


BiodieselBR.com - 01 set 2007 - 14:24 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:27
Novos investimentos
Para expandir sua capacidade de produção para além das instalações de Volta Redonda, a Cesbra tem planos para iniciar a construção de mais duas usinas de biodiesel no ano que vem. Cada nova planta representa um investimento de US$ 40 milhões. A estratégia se deve à percepção de que esse mercado tende a crescer nos próximos anos devido, entre outros fatores, à expectativa de aumento da adição obrigatória de biodiesel ao diesel de petróleo. Uma das novas usinas será instalada na região fluminense e a outra tem a sua localização mantida em segredo pela direção da empresa. “Será num local onde a logística será muito importante”, adianta o diretor Carlos Polastri.

Para se tornar competitiva no mercado de biocombustíveis, a direção da Cesbra tem em mente a importância da logística, um dos motivos pelos quais optou por investir na região. Como opera sozinha em todo Estado do Rio de Janeiro, e em uma área do país extremamente industrializada, não faltam compradores para o combustível adquirido pela Petrobras através dos leilões. “Quando a Petrobras vai negociar o meu biodiesel com as distribuidoras, ela consegue um preço melhor por conta do baixo custo do frete, conseqüentemente a empresa fica mais atrativa”, observa Polastri.

Esse mesmo raciocínio justifica o otimismo da empresa nos futuros leilões para formação de estoque, realizados pela Petrobras, e que têm por finalidade suprir as demandas residuais que não foram atendidas nos leilões da ANP. Nessas rodadas de negociações, a diretoria da Cesbra espera obter um lucro ainda maior, visto que a região abriga um grande número de compradores.

Matéria-prima e pesquisa
Se por um lado a localização da Cesbra Biodiesel favorece a logística para a venda da sua produção, por outro dificulta a obtenção de algumas certificações necessárias para o setor, como o Selo Combustível Social, que concede uma redução na cobrança do PIS e Cofins para as empresas que compram matérias-primas da agricultura familiar, além de garantir a participação na primeira fase dos leilões da ANP, onde é licitada 80% da demanda nacional para o trimestre. Como a Cesbra não está localizada em uma região agrícola, a logística destas compras acaba por se tornar mais dispendiosa. Soma-se a isso o fato de que a empresa não possui unidades de esmagamento para transformar a soja em grão adquirida dos pequenos produtores em óleo, o que implicaria na terceirização desse serviço. Mesmo assim, a obtenção do selo é uma das principais metas da Cesbra para 2009 e 2010.

Atualmente a empresa utiliza como matéria-prima somente o óleo de soja, que adquire de diversos fornecedores nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A opção pela oleaginosa se deve à falta de outras matérias-primas no mercado em quantidade satisfatória. “O pinhão-manso é mais eficiente e mais barato, mas não há disponibilidade”, observa Carlos Polastri. Prevendo a diversificação de suas fontes, a empresa criou há dois anos um departamento para estudar exclusivamente a produção de pinhão-manso. Para isso adquiriu na região uma área com 242 hectares do arbusto para fins de pesquisa e vem sensibilizando os pequenos produtores locais para esta cultura, se comprometendo em comprar tudo aquilo que for produzido por eles.

Várias outras matrizes energéticas também já passaram pelos tubos de ensaio da empresa. “Já fizemos biodiesel com tudo que você possa imaginar”, diz Polastri. Um dos destaques nesse campo é um estudo, já publicado em congressos científicos, sobre a produção do biodiesel a partir do sebo bovino, que prevê a manutenção de seu caráter líquido em temperaturas de até 4ºC, um avanço significativo considerando que hoje o grande problema desta matériaprima é o ponto de entupimento. Abaixo de 15ºC o biodiesel metílico de sebo puro se solidifica.

Estes e outros estudos são uma das marcas da empresa, que goza de uma primazia técnica rara entre as concorrentes do setor de biocombustíveis. A experiência oriunda da área da química é certamente o maior diferencial da Cesbra no mercado de biodiesel. Segundo o gerente de tecnologia, Pedro Penedo, o corpo técnico da empresa está acostumado a trabalhar com reações químicas muito mais complexas do que aquelas que ocorrem durante a fabricação do combustível. “A reação do biodiesel acontece durante 45 minutos a 50ºC. Existem reações na fábrica que duram 24 horas a 200ºC”, compara.

Essa atividade prévia implica também na posse de equipamentos mais avançados, como cromatógrafos, onde é possível acompanhar instantaneamente as reações químicas; reatores vitrificados, aquecidos com fluido térmico e resfriados com água gelada; e outros requisitos necessários na indústria da química fina que acabam repercutindo positivamente na qualidade do biodiesel produzido. “Temos todo cuidado porque o éster metílico fabricado por nós hoje, que serve como matéria-prima para os nossos produtos químicos, é muito mais minucioso e tem especificações muito mais severas do que o biodiesel”, explica o diretor.

Nesse sentido, pode-se observar que a empresa traça o caminho inverso de outras concorrentes, que vieram do setor agrícola e do esmagamento de grãos e tiveram que aprender a desenvolver reações químicas. A Cesbra partiu da infra-estrutura e do conhecimento técnico necessários para a fabricação do biodiesel e precisou apenas adequar- se aos volumes de produção e à logística desse mercado. Por questões práticas, seu combustível é produzido através da rota metílica. A escolha se deve à natureza da empresa, que não teria como aproveitar em seus processos o resíduo do processo etílico que é o etanol hidratado. “Como não somos usinas de álcool não teríamos para onde escoar”, diz Polastri.

Outra possibilidade de produção de biodiesel estudada pela empresa é através do óleo de cozinha usado. Esse tipo de iniciativa tem mais caráter social e ambiental do que econômico, visto que o volume deste material é ínfimo comparado à demanda de matéria-prima da empresa. Para promover a coleta do óleo junto às escolas, restaurantes e residências, a empresa criou uma cooperativa chamada Eco-óleo, que coleta e vende o óleo usado na região.

A preocupação social também aparece em outros projetos, como o que trata da readequação do solo para a agricultura. Como a região é oriunda da produção de café, existem muitas áreas degradadas. A recuperação dessa potencialidade agrícola ajudaria não só os pequenos agricultores a aperfeiçoar sua produção, como também a empresa, que poderia comprar deles parte dos insumos necessários para produção, facilitando também na obtenção do selo social. Essa certificação viria a se somar com o ISO 9000, que a empresa já adquiriu ao se adequar às normas para a comercialização de químicos de estanho no mercado internacional.