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Perfil da Indústria: Cesbra Biodiesel


BiodieselBR.com - 23 set 2009 - 15:15 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:27
Cesbra Biodiesel, de Volta Redonda (RJ), aproveita know-how na área da indústria química para produzir combustível de alta qualidade

André Amorim, de Curitiba


É no município de Volta Redonda que está localizada a primeira usina de biodiesel do Estado do Rio de Janeiro. Diferente de muitas empresas do setor, a história da Cesbra Biodiesel vem da indústria química e da siderurgia, em particular da exploração do minério de cassiterita (estanho). Oficialmente, a produção de biodiesel começou há pouco menos de um ano. No entanto, pode-se dizer que a Cesbra já trabalhava com esse produto há mais de 20 anos, mas sob o nome de éster metílico, utilizado pela indústria química como matéria-prima na produção de outros compostos. Até então essa produção se dava em pequena escala, algo em torno de 50 a 100 mil litros do produto por mês. Hoje, segundo o gerente de tecnologia da empresa, Pedro Penedo, esse volume corresponde à produção da usina de apenas um dia.

O salto da química para o campo do biodiesel se deu naturalmente. Aproveitando a expertise que já possuía na fabricação de éster metílico e observando que a conjuntura econômica apontava para um mercado em ascensão para os biocombustíveis, em 2007 a direção da empresa decidiu focar esforços na obtenção das certificações legais e nas especificidades técnicas necessárias para a produção de biodiesel em larga escala. De acordo com o diretor executivo da Cesbra, Carlos Omar Polastri, em março de 2008 a empresa já havia obtido junto à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a licença para comercialização do combustível, mas decidiu esperar até maio de 2009 para começar a vender seu produto, segundo ele, “por questões de preço e de estratégia no que diz respeito ao mercado internacional”.

A Cesbra Biodiesel nasceu junto à planta de 60 mil metros quadrados da Cesbra Química S.A., localizada na região de Três Poços, em Volta Redonda. Esta empresa começou sua história em 1951 atendendo a uma demanda da Companhia Siderúrgica Nacional de produção de estanho metálico e fundição de cassiterita. Na década de 80 ela foi incorporada ao conglomerado canadense Brascan e passou a atuar na produção de químicos à base de estanho, sendo hoje a única da América Latina a fabricar esse tipo de compostos. A empresa permaneceu atuando exclusivamente no setor de estanho até 2007, quando um grupo de investidores brasileiros, entre eles o Grupo Metano, adquiriu todos os ativos da companhia, incluindo o nome Cesbra, e passou a investir na fabricação de biocombustíveis.

A expansão das suas instalações para comportar a produção em larga escala do éster metílico – leia-se biodiesel – e sua estocagem demandou um investimento adicional de US$ 11 milhões. Segundo Polastri, um valor bem menor do que o necessário para construir uma usina a partir da estaca zero. Isso se deve ao fato da empresa já contar com boa parte da estrutura física para a produção do combustível, utilizada até então pela divisão de químicos de estanho. Esse diferencial, somado à experiência do corpo técnico da empresa nas reações específicas desse composto, foi decisivo para que a direção apostasse no biodiesel.

A primeira venda ocorreu em maio deste ano durante o 14º Leilão da ANP. Na ocasião a Cesbra vendeu 4 milhões de litros do produto, por um preço de R$ 8,67 milhões. A participação foi tímida, respondeu por apenas 0,9% do total comercializado no leilão. A capacidade total de produção da Cesbra autorizada pela ANP é de 21,6 milhões de litros por ano e a empresa pode arrematar em cada leilão até 5,76 milhões de litros (80% da capacidade autorizada para o trimestre). Mas a usina fluminense já requereu junto à agência a autorização para triplicar esse volume até 2010, chegando a 60 milhões de litros anuais. Esse seria o limite para a produção conjunta de biodiesel e dos demais produtos químicos. Segundo o diretor industrial da empresa, Gaspar da Rocha Pinto, para atingir este patamar hoje seria necessário apenas que a empresa investisse em tanques para o armazenamento do combustível e da matériaprima. “Atualmente nós temos uma capacidade de reação muito maior do que a capacidade de estocagem”, afirma.
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