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Consolidação no setor de biodiesel


BiodieselBR.com - 21 set 2009 - 06:50 - Última atualização em: 20 jan 2012 - 11:34
Ampliações, construções e compras de usinas inauguram uma nova fase do segmento de biodiesel no país. Seriam sinais de consolidação ou indícios de concentração do setor?

Fábio Rodrigues, de São Paulo

“Enquanto os homens planejam, Deus ri”, repetem os pessimistas mais empertigados com a habitual desenvoltura de quem, em última análise, está com toda a razão. O futuro não dá a mínima para as nossas mais cuidadosas previsões antes de despejar alguma surpresa – a mais recente crise mundial, não custa nada lembrar, estilhaçou bolas de cristal dos bilionários videntes de Wall Street. Infelizmente, não existe outra saída possível.

Foi pensando nisso que a BiodieselBR decidiu arriscar seus próprios palpites a respeito do que o futuro do setor de biodiesel reserva para o curto e médio prazos. Evidente que não fizemos isso embaralhando cartas ou procurando por desenhos aleatórios nas folhas de chá, mas vasculhando o noticiário especializado e escutando as opiniões de fontes bem informadas no mercado e na academia. Nas próximas páginas, o leitor poderá conhecer algumas de nossas conclusões e predições.

Talvez a aposta mais segura a respeito da movimentação do setor de biodiesel que poderia ser feita hoje é a de que o ciclo de expansão do setor, iniciado com o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB) em dezembro de 2004, ainda não atingiu o seu pico. Embora seja possível dizer que o primeiro tempo do jogo esteja bem encaminhado e os primeiros craques dessa partida já estejam começando a despontar, ainda há um bom número de players que estão se aquecendo para entrar em campo.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nada menos do que 12 novas plantas de biodiesel estão com os pedidos de autorização para operação em aberto. Não é tudo. De acordo com o mais recente levantamento sobre a situação das usinas brasileiras de biodiesel elaborado pela BiodieselBR, existem 16 usinas em construção e mais 19 em estágio de planejamento.

Contando a capacidade de produção declarada apenas dos projetos já em construção, há quase 800 milhões de litros por ano a caminho do mercado. Isso sem nem contar as ampliações em unidades produtivas que já se encontram em operação. Algumas já foram ampliadas recentemente e, de acordo com a ANP, existem outras oito na fila para conseguir autorizações para o aumento da capacidade de suas fábricas. Esses números, embora dêem a entender que o setor vive uma robusta onda de crescimento, escondem um ovo de serpente em incubação: o de uma nova alta nos índices de ociosidade industrial do setor.

Há bem pouco tempo a capacidade ociosa da indústria do biodiesel rondou a insalubre marca dos 70%. A situação foi tão complicada que foi preciso convencer o governo federal a antecipar a chegada do B4 para julho (no cronograma oficial do PNPB o novo patamar só seria atingido em 2011) para conseguir desatolar a produção. Assim, o mercado da mistura obrigatória subiu dos 1,40 bilhão (com o B3) para 1,86 bilhão de litros ao ano. É um refresco importante, mas não é uma solução definitiva para o problema da sobrecapacidade que vem assombrando o segmento – no primeiro semestre de 2009 a capacidade produtiva da indústria já superou a marca dos 4 bilhões de litros por ano.

Agora, o último refúgio que ainda resta aos produtores está na chegada do B5 – patamar de mistura mais elevado nas regras atuais do PNPB. Originalmente isso deveria acontecer apenas em 2013, mas o governo já sinalizou que virá no ano que vem. Depois disso, obter novas ampliações de mercado deve ficar muito mais difícil. Embora novas propostas estejam sendo avaliadas no Planalto, como o B20 metropolitano e ampliações de 1% ao ano até o B20, a conclusão é elementar: com um mercado menos elástico e uma capacidade de produção nas nuvens é sábio começar a se preparar para uma concorrência mais dura daqui por diante.