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Mais Bio no Diesel


BiodieselBR.com - 13 jul 2009 - 14:55 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 17:52
Após grande ociosidade na indústria, setor respira aliviado com a entrada do B4

Alice Duarte, de Curitiba

O governo prometeu, a indústria pressionou, mas foi por pouco que o tão esperado aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel mineral não entrou em vigor. De última hora, faltando 11 dias para a realização do leilão que definiria o mercado, foi assinada a Resolução que estabeleceu em 4% o percentual mínimo obrigatório de adição de biodiesel, válido a partir de 1º de julho. Como era de se esperar, a indústria, que operava com uma ociosidade perto dos 60%, recebeu a mudança dos atuais 3% com otimismo e alívio. A situação estava colocando em risco o futuro do setor, bem como o retorno dos investimentos já realizados. “A indústria de biodiesel, ainda nova no país, respondeu fortemente ao Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. Mas o setor estava muito restrito à demanda obrigatória e a perspectiva era de crise, com várias indústrias paralisadas”, diz Sérgio Beltrão, diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio).

A expectativa dos produtores era de que o aumento da demanda viesse com três meses de antecedência. “A indústria defendia a entrada do B4 já a partir de abril. Desde 2008 a capacidade produtiva já era compatível com o B4”, afirma o diretor.

Com a decisão, a ociosidade deve diminuir para 44% a partir da entrada em vigor da medida. O número em si pode ser considerado ruim, mas comparando com a ociosidade de mais de 60% do maior produtor de biodiesel do mundo, a Alemanha, a perspectiva da indústria brasileira é mais animadora. Sobre o B5, “o governo não deu garantias, mas já sinalizou positivamente”, diz Beltrão, acreditando que o setor tem capacidade para atender percentual mais elevado.

O aumento gradativo do uso de biodiesel pela frota de veículos pesados no país não traz benefícios somente para os fabricantes e para o setor do agronegócio. “O aumento da mistura traz uma diminuição da importação de diesel, favorecendo a balança comercial do país, traz menos emissões de gases do efeito estufa, melhora a qualidade de vida da população (pela diminuição das doenças pulmonares), aumenta a renda dos agricultores familiares com a compra de mais oleaginosas, e consolida o Brasil como um expoente mundial na produção de biodiesel”, enumera Beltrão. Com a medida, o Brasil vai deixar de importar, somente no segundo semestre de 2009, cerca de R$ 180 milhões em diesel, ao mesmo tempo em que fará circular mais de R$ 1 bilhão dentro do país.

Beltrão acredita em um cenário de tranqüilidade para o preço das matérias-primas este ano. “A trajetória ascendente das commodities não deverá ser tão pujante como foi no ano passado”, prevê. Em 2008, a cotação do óleo de soja no mercado interno disparou, atingindo picos de quase R$ 3 mil a tonelada no mês de março. O dirigente descarta a possibilidade do B4 vir a pressionar a inflação, trazendo um possível aumento no preço do diesel nas bombas. “Mesmo com a elevação no preço da soja em 2008, o aumento do diesel foi imperceptível”, lembra.