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Soyminas: Do pioneirismo a melancolia - Origens


BiodieselBR.com - 30 abr 2007 - 11:35 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:36
Origens

As raízes da Soyminas vão bem além de março 2005. Em 1994, Alves era dono de uma pequena empresa de pesquisas especializada no desenvolvimento de sistemas digitais de gerenciamento de motores para um fabricante de equipamentos turbo. A empresa chamava-se Abitec e chegou a desenvolver um sistema eletrônico que permitiria motores funcionarem tanto com gasolina quanto com álcool, mais ou menos na linha dos atuais modelos flex. Nessa época ele ouviu falar pela primeira vez na possibilidade de usar óleos vegetais para fabricar um substituto do diesel de petróleo. O interesse foi imediato. “Vislumbrei o imenso potencial ambiental, social, estratégico e econômico do biodiesel, iniciei o desenvolvimento de uma tecnologia nacional de produção, substituindo o metanol pelo etanol”, relembra, referindose à rota etílica de produção.

Cerca de cinco anos mais tarde, em 2001, esse vislumbre inicial havia evoluído para a forma de uma unidade piloto com capacidade de produzir aproximadamente 5 mil litros de biodiesel por dia. Foi nessa época que a Abitec mudou sua razão social para Soyminas.

Mais do que fabricar biodiesel, o propósito dessa planta experimental era dar ao engenheiro os meios necessários para que ele resolvesse um dos grandes problemas tecnológicos do setor do biodiesel: o da fabricação por rota etílica. Foram necessários mais dois anos, mas em 2003 o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi) concedeu a ele a patente de um processo contínuo de produção de biodiesel por essa rota (PI 0301183-6).

Vender usinas baseadas nessa tecnologia foi, portanto, o primeiro front de negócios explorado pela Soyminas. E a WJC Armazéns Gerais, de Chapadão do Céu (GO), foi a primeira empresa a adquirir a tecnologia. A unidade foi inaugurada em agosto de 2003 e atualmente não produz biodiesel.

Outra empresa que adquiriu uma usina da Soyminas e também se encontra parada foi a Biolix, de Rolândia (PR). De acordo com Antônio dos Reis Felix, proprietário da Biolix, a tecnologia desenvolvida pelo proprietário da Soyminas funciona perfeitamente. “Nós já fabricamos vários milhares de litros de biodiesel em nossa usina e todas as análises mostram que o produto é 100%”, garante. No entanto, a Biolix está entre as empresas com menor produção de biodiesel no Brasil – segundo a ANP, desde 2004 foram apenas 138 mil litros. Mas de acordo com Felix, a relação com a Soyminas foi extraordinariamente tranqüila. Ele praticamente entregou as chaves de sua empresa nas mãos de Alves e não precisou se preocupar com nada. “Eles cumpriram o cronograma, treinaram o meu pessoal a operar os equipamentos, nos deram toda a assistência necessária e nos repassaram toda a informação relevante. A atuação dele foi corretíssima”, elogia.

Já a relação comercial com a Biominas, de Itatiaiuçu (MG), não foi tão feliz. Segundo foi apurado junto a fontes da Biominas, a empresa teria acertado a compra de uma usina completa da Soyminas e inclusive pago um adiantamento pelos equipamentos, que não teriam sido entregues. A disputa foi levada aos tribunais no começo de 2008 e em dezembro passado aconteceu a primeira reunião de conciliação entre as partes. De acordo com a advogada da Biominas, Dra. Eduarda Cotta Mamede, não houve acordo entre as empresas.

Embora tenha conhecimento da existência dessa disputa, Alves diz que desconhece o andamento do processo. “Eles entraram com essa ação antes de eu reassumir a Soyminas. Ainda não estou inteirado de como anda essa questão”, justifica.