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Soyminas: Do pioneirismo a melancolia


BiodieselBR.com - 20 mai 2009 - 13:22 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:36
Inaugurada há quatro anos, a Soyminas foi a primeira usina brasileira de biodiesel a operar comercialmente. Entre idas e vindas – com um processo de compra e venda pouco ortodoxo –, hoje a usina está paralisada

Fábio Rodrigues, de São Paulo

No dia 24 março de 2005 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava contente da vida. Naquele dia, ele havia saído de Brasília e ido até o município mineiro de Cássia para participar da cerimônia de inauguração da Soyminas, primeira usina brasileira a produzir biodiesel em escala comercial, e assistir ao primeiro automóvel ser abastecido com o novo biocombustível nacional. Era a primeira ação concreta do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), numa época em que o programa era a menina dos olhos do Palácio do Planalto.

Foi ocasião para toda pompa e circunstância, incluindo um daqueles discursos na linha do “nunca antes na história desse país” que o presidente Lula gosta de pronunciar. De forma resumida, no discurso o presidente pediu para as pessoas anotarem aquele dia em suas agendas, para poderem manter em perspectiva “tudo o que pode acontecer com o Brasil, daqui a dez anos, com o programa do biodiesel”. E as apostas do Planalto eram bem altas. Esperava-se que o programa do biodiesel fosse o promotor de um poderoso ciclo virtuoso que combinasse crescimento econômico, sustentabilidade energética e justiça social num único pacote.

Apenas quatro anos passados daquele dia, a Soyminas se encontra numa situação melancólica: produção paralisada, Selo Combustível Social cancelado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e os projetos do proprietário da empresa, o engenheiro Artur Augusto Alves, engavetados ou abortados. Embora a Soyminas pareça não estar atolada em dívidas (ela está limpa na Receita Federal, no INSS e não há qualquer reclamação contra ela no Sindicato dos Profissionais da Química do Estado de Minas Gerais), o fato do presidente da empresa atender pessoalmente ao telefone de contato certamente não é um bom sinal.

Verdade seja dita, o destino do PNPB jamais dependeu da saúde financeira da Soyminas – que com uma capacidade autorizada de apenas 14,4 milhões de litros, pode ser considerada uma das nanicas do setor. Acontece que, por seu simbolismo, o destino da Soyminas atrai um interesse absolutamente desproporcional para seu porte, e seu nome não custa a aparecer sempre que a conversa numa rodinha de empresários do setor descamba para a fofoca pura e simples. Para colocar ainda mais lenha no falatório, a Soyminas acaba de passar por um processo de compra e venda pouco ortodoxo. Em janeiro de 2007, a empresa foi adquirida por um grupo de investidores liderado por Valter Egídio da Costa, da VEC Participações (o empresário teve seu nome envolvido nas investigações da Operação Aquarela, da Polícia Civil do DF). Sem conseguir retomar a produção nesse período, o grupo revendeu a usina para Alves em janeiro de 2009.
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