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Pinhão-manso: Cenário e área plantada


BiodieselBR.com - 04 mai 2007 - 08:05 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:32


Cenário

De acordo com o presidente da associação dos produtores, mesmo com as dificuldades já mencionadas, as plantações de pinhãomanso estão se consolidando e serão feitas nesta safra as primeiras exportações de grãos para a Alemanha, assim como de óleo bruto. Para garantir um mercado comprador, a ABPPM está consolidando a aquisição de grãos de pequenos e grandes produtores, mesmo em quantidades pequenas, para incentivar o aumento da área plantada.

Na opinião dele, os principais avanços estão notadamente no interesse de toda a comunidade científica do país em relação aos processos de domesticação da Jatropha, assim como a expansão do plantio em todos os Estados ao norte de São Paulo, pelas condições climáticas mais adequadas à cultura. “Maranhão, Piauí, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte, Pará, Goiás, Paraíba, entre outros, estão todos estruturando programas de plantio como a alternativa da vez para produção de biodiesel”.

Lu ressalta ainda o apoio que o governo estadual e federal do Tocantins deu ao projeto Saudibras – através do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado de Tocantins (Ruraltins) e da Universidade Federal do Tocantins –, a adesão do Banco da Amazônia e o esforço empresarial do Grupo Saudibras/Biotins, provocando um significativo avanço do plantio do pinhão-manso no Estado. A Saudibras tem 6.000 hectares em Caseara (TO), com três anos e meio de desenvolvimento de tecnologia de campo. “Iniciativas estaduais, integradas às iniciativas municipais como, por exemplo, o Programa de Biocombustíveis do Maranhão, estão consolidando parcerias público-privadas que irão expandir muito a fronteira agrícola do pinhão-manso, diz Lu. Um caso é o projeto em Primavera do Leste (MT), da Green Oil, que prevê o plantio de 150 mil hectares.

Cavalcante, do governo federal, destaca o Projeto Jatropha, que é uma parceria entre a Refinaria Nacional de Petróleo Vegetal Fusermann e 16 municípios da região de Viçosa, no interior de Minas Gerais. O projeto tem propiciado diversas atividades técnicas nas áreas plantadas, que somam 1.600 hectares. A Universidade Federal de Viçosa, a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e a Embrapa Gado de Leite estão envolvidas no projeto. “Já foram realizados vários ensaios de colheita e beneficiamento que, aliados ao conhecimento existente em outras regiões produtoras, permitem indicar informações práticas aos produtores de pinhão-manso”, diz ele.


Área plantada


Em relação ao total de área plantada de pinhão-manso no país, não existem números oficiais. O que há são conjecturas baseadas em informações coletadas com produtores e entidades. De acordo com a estimativa – bem otimista – do presidente da ABPPM, a área plantada atual pode estar em 80 mil hectares. “Chegamos a esse número baseados nas diversas conversas com plantadores, nem todos associados”, diz. A previsão, segundo ele, é que neste ano sejam plantados mais 20 mil hectares. “A colheita brasileira do ano passado foi aproveitada pelos jatrophacultores para formação de sementes, não tendo nenhuma materialidade comercial. Neste ano, estaremos exportando perto de três mil toneladas do grão”.

Na avaliação dele, o resultado do ano passado poderia ser melhor, mas faltou apoio do governo federal, com uma política agrícola para dar o incentivo necessário para a agricultura familiar e outros agricultores.

A verdade é que ainda não existem dados confiáveis sobre a real área utilizada. Para se ter uma idéia da disparidade entre as estimativas de plantações no país, a previsão dada pelo engenheiro agrônomo Renato Roscoe, por exemplo, é de 20 mil hectares plantados. “Os volumes colhidos de pinhão-manso ainda são pouco expressivos em função de uma combinação de área plantada reduzida e estágio inicial de desenvolvimento da maioria das plantações”, relata.

Segundo ele, há iniciativas pioneiras em todas as partes do país, sendo registrados plantios mais antigos em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraíba e Pará. “A maior parte da produção vem sendo utilizada como material de propagação, embora não sejam devidamente registradas como sementes junto ao Mapa. Esmagamento e produção de biodiesel têm acontecido experimentalmente em pequenas quantidades”, afirma.