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Capacidade de produção de Biodiesel: Comemoração e preocupação


BiodieselBR.com - 30 abr 2007 - 13:18 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:23
Dados da produção de biodiesel no Brasil mostram capacidade e fôlego da indústria para atender à demanda. Mas as unidades estão ameaçadas de ficar cada vez mais ociosas.

Rosiane Correia de Freitas, de Curitiba

Os dados oficiais de produção e consumo de biodiesel no Brasil fizeram com que os produtores do combustível entrassem em 2009 com um excelente motivo para comemorar – e com pelo menos dois motivos de preocupação. Por um lado, os números mostram que as usinas brasileiras mais do que deram conta do recado em 2008. Por outro, o horizonte parece nublado devido à crise econômica internacional e demora na antecipação de misturas maiores de biodiesel.

O lado bom dos gráficos tem a ver com a superação da demanda nacional de biodiesel. Pouco antes da implantação do B2, havia quem acreditasse que o país não tinha como oferecer tanto biodiesel ao mercado. O que ocorreu foi o contrário. Mesmo com a antecipação do B3, a oferta proporcionada pelos produtores brasileiros foi maior do que a necessidade do país.

Segundo dados divulgados em março pelo Ministério das Minas e Energia (MME), a produção nacional de biodiesel em 2008 ficou em 1,16 bilhão de litros. A demanda do país no mesmo período foi estimada em 1,12 bilhão. Ou seja: todos os veículos a diesel tiveram biocombustível para pôr em seus tanques.

Com isso, o governo sinalizou positivamente no sentido de antecipar a data de entrada em vigor do B5. A previsão anterior era de que essa mistura só se tornasse obrigatória em 2013. Mas, com os bons resultados, o próprio MME já fala em antecipar o prazo para 2010. E o B4, por sua vez, pode entrar em vigor no segundo semestre deste ano.

Mesmo com a produção levemente acima da demanda, as usinas estão longe ainda de atingir o nível máximo de produção. Há um grande descolamento entre produção e capacidade instalada do país, que em janeiro chegou a 3,7 bilhões de litros. O que quer dizer que as usinas colocam no mercado apenas cerca de um terço do que poderiam se estivessem operando em sua capacidade plena. E enquanto algumas usinas conseguem diminuir sua ociosidade, outras ficam completamente paradas.


Terceiro maior do mundo

Com a produção do ano passado, o governo federal anunciou que o Brasil também ultrapassou a Argentina e se tornou, já no primeiro ano de adição obrigatória de biodiesel, o terceiro maior produtor e consumidor mundial do combustível. Os dois países que lideram o ranking mundial de produção e consumo são Alemanha e os Estados Unidos.

Mesmo com todos esses bons números, porém, o mercado de biodiesel pode não ficar livre dos temores que a crise econômica mundial está causando em praticamente todos os setores de produção. A redução da atividade industrial do planeta – e o Brasil não ficou de fora desse cenário – deve reduzir a demanda por diesel nos próximos meses, conseqüentemente diminuindo a demanda por biodiesel.

A capacidade ociosa do setor, que hoje está em 70%, pode ficar ainda maior caso a antecipação do biocombustível - de amplas vantagens ambientais - seja postergada. E o que mostra isso é a diminuição da produtividade nos últimos meses de 2008 e no começo de 2009. Os boletins mensais da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) revelam que, em janeiro de 2009, foram produzidos no Brasil 87,39 milhões de litros de biodiesel. O número representa uma queda de 27,42% em relação aos dados do mês anterior. Em dezembro de 2008, segundo a ANP, a produção nacional foi de 111,51 milhões de litros.

E o número de dezembro já significava um recuo de produção em relação aos dois meses anteriores. Os boletins da ANP mostram que em outubro a produção nacional chegou a 126,81 milhões de litros. Em novembro, foi de 117,29 milhões de litros.

Agora, é torcer para que o presidente Lula esteja certo quando diz que a pior parte da crise econômica já passou. Ou esperar que o B4 e o B5 venham logo. Afinal, usina para produzir o biodiesel necessário já está mais do que provado: não vai faltar.