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O peso da matéria-prima


BiodieselBR.com - 01 abr 2009 - 15:20 - Última atualização em: 19 dez 2011 - 18:10
Uso da soja atingiu uma média de 78% da produção de biodiesel em 2008, mas o incentivo a novas culturas pode trazer mudanças no balanço da produção este ano

Alice Duarte, de Curitiba


O balanço das matérias-primas utilizadas na fabricação de biodiesel no país, divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), mostra a distância que esse mercado ainda precisa percorrer para diminuir a forte dependência do uso do óleo de soja. A oleaginosa, que no primeiro semestre ficou na média dos 76%, período de grande alta na cotação em Chicago, subiu para a casa dos 80% no segundo semestre, atingindo um pico de 85,14% em novembro.

O uso do sebo acompanhou a oscilação da soja e foi a segunda matéria-prima mais utilizada pelas usinas. O óleo de algodão vem em terceiro lugar, mas com uma parcela pouco representativa na indústria. Já a mamona, apesar de todo o incentivo do governo, desapareceu do setor no ano passado. Nesse caso foi a indústria que teve que decretar a inviabilidade econômica da cultura para produção de biodiesel – e ao governo só restou tirá-la dos discursos presidenciais.


Outras matérias-primas

É unânime a opinião de que a soja não é a matéria-prima ideal para este biocombustível. Enquanto não houver tecnologia e incentivos para ampliar o uso de outras oleaginosas, o grão continuará figurando no topo da lista, apesar de render apenas 20% de óleo e da alta volatilidade de seu preço no mercado internacional.

Este ano poderá haver alguma mudança nesse cenário, já que o setor de biodiesel deve estimular a produção de algumas novas matérias-primas, como a canola na região Sul e o crambe no Centro- Oeste.

Quanto ao pinhão- manso, este deve enfim chegar à indústria de biodiesel em 2009. Haverá colheita em volumes maiores nos plantios realizados em 2005 e 2006, principalmente em Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão-Manso (ABPPM), a área plantada total no Brasil gira em torno de 16 mil hectares, embora haja projetos ambiciosos de plantio, como na Paraíba, por exemplo, que pretende implantar o cultivo numa área de 120 mil hectares.

Mas a quantidade de óleo de pinhão-manso que chegará à indústria não será muito expressiva, principalmente por falta de apoio do governo, que não incluiu a cultura na fila de zoneamento agrícola para os próximos dois anos.

Matérias-primas utilizadas na produção de biodiesel em 2008 (%)