Uso da soja atingiu uma média de 78% da produção de biodiesel em 2008, mas o
incentivo a novas culturas pode trazer mudanças no balanço da produção este ano
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Uso da soja atingiu uma média de 78% da produção de biodiesel em 2008, mas o
incentivo a novas culturas pode trazer mudanças no balanço da produção este ano
Alice Duarte, de Curitiba
O balanço das matérias-primas
utilizadas na fabricação
de biodiesel no país, divulgado
pelo Ministério de
Minas e Energia (MME), mostra a
distância que esse mercado ainda
precisa percorrer para diminuir a
forte dependência do uso do óleo
de soja. A oleaginosa, que no primeiro
semestre ficou na média dos
76%, período de grande alta na
cotação em Chicago, subiu para a
casa dos 80% no segundo semestre,
atingindo um pico de 85,14%
em novembro.
O uso do sebo acompanhou a
oscilação da soja e foi a segunda
matéria-prima mais utilizada pelas
usinas. O óleo de algodão vem
em terceiro lugar, mas com uma
parcela pouco representativa na
indústria. Já a mamona, apesar de
todo o incentivo do governo, desapareceu
do setor no ano passado.
Nesse caso foi a indústria que teve
que decretar a inviabilidade econômica
da cultura para produção
de biodiesel – e ao governo só restou
tirá-la dos discursos presidenciais.
Outras matérias-primas
É unânime a opinião de que a soja
não é a matéria-prima ideal para
este biocombustível. Enquanto
não houver tecnologia e incentivos
para ampliar o uso de outras
oleaginosas, o grão continuará figurando
no topo da lista, apesar
de render apenas 20% de óleo e da
alta volatilidade de seu preço no
mercado internacional.
Este ano poderá
haver alguma
mudança nesse cenário,
já que o setor
de biodiesel deve
estimular a produção
de algumas
novas matérias-primas,
como a canola
na região Sul e o
crambe no Centro-
Oeste.
Quanto ao pinhão-
manso, este
deve enfim chegar
à indústria de biodiesel em
2009. Haverá colheita em volumes
maiores nos plantios realizados
em 2005 e 2006, principalmente
em Minas Gerais, Mato Grosso
e Tocantins. Segundo a Associação
Brasileira dos Produtores de
Pinhão-Manso (ABPPM), a área
plantada total no Brasil gira em
torno de 16 mil hectares, embora
haja projetos ambiciosos de plantio,
como na Paraíba, por exemplo,
que pretende implantar o cultivo
numa área de 120 mil hectares.
Mas a quantidade de óleo de
pinhão-manso que chegará à indústria
não será muito expressiva,
principalmente por falta de apoio
do governo, que não incluiu a cultura
na fila de zoneamento agrícola
para os próximos dois anos.