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Microalgas: Em águas nacionais


BiodieselBR.com - 09 abr 2009 - 13:48 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:00
Pesquisas no país avançam no estudo com as microalgas para produção de biodiesel, mas revelam a urgência por mais investimentos

Meri Rocha, de Curitiba

Que as microalgas são promissoras matérias-primas para a produção de biodiesel já é fato. E há muita razão para o entusiasmo em torno de seu potencial. Elas têm alto teor de óleo, alta produtividade (com grande capacidade de multiplicação) e não exercem pressão sobre áreas agrícolas destinadas à produção de alimentos. Entretanto, para que ela se torne fonte efetiva na geração de biodiesel no país ainda há muito estudo pela frente. Apesar de estar investindo no tema há alguns anos, o Brasil por enquanto não consolidou nenhum estudo, nem atingiu a sua efetivação. As pesquisas brasileiras, segundo informações das entidades envolvidas, são incipientes e reduzidas. Além disso, há bastante sigilo em torno dos resultados já obtidos, o que prejudica a avaliação real do nível em que o país se encontra em relação a esse tema.

Sabe-se que ainda faltam pesquisas básicas sobre o assunto, mas já existem conhecimentos específicos que permitiriam pesquisas aplicadas em escala piloto. Os estudos no Brasil sobre o aproveitamento dessa matéria-prima com foco na obtenção de biodiesel ainda envolvem poucos grupos, seja na academia ou na iniciativa privada. E o governo federal não tem dado a atenção necessária a essa alternativa. Segundo informações da área de energia da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma das principais agências de fomento de pesquisas na área, apenas dois projetos sobre as microalgas foram contratados.

A pesquisadora Claudia Teixeira, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), confirma esse cenário e enfatiza que para a produção de biodiesel por meio de microalgas se transformar em realidade em escala industrial no Brasil, muita pesquisa ainda deve ser realizada e muito recurso deve ser liberado para aceleração dos resultados. Segundo ela, o governo federal tem investido através de edital específico do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e até o momento foram destinados R$ 500 mil. O prazo da execução dos projetos para esse edital é de dois anos e eles deverão ser implementados no início deste ano. “Independentemente deste edital, algumas pesquisas vêm sendo feitas no Brasil a este respeito há algum tempo, como a nossa. Porém, ainda é reduzido o número de estudos aqui no país”, analisa Claudia.

Desde 2003 a pesquisadora desenvolve uma pesquisa sobre a produção de biomassa a partir de microalgas e desde 2005 o foco tem sido a produção de biodiesel. A pesquisa está apresentando em seus resultados uma inovação no sistema de produção de biomassa, mas ainda falta testar em escala piloto e protótipo. Segundo Claudia, o projeto deverá ser efetivado em cinco anos.