009

Transporte: Matéria-prima


BiodieselBR.com - 05 mar 2007 - 14:57 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:04

As grandes distâncias são um obstáculo que o biodiesel ainda precisa transpor. E toda vez que se fala sobre essas dificuldades, dois meios de transporte amplamente utilizados no exterior (em países muito menores do que o nosso) são sempre lembrados: trem e barco. Eles poderiam contribuir para o transporte do biodiesel, mas não resolveriam o problema. Pelo menos por enquanto. “Sabemos que o investimento e o retorno seriam no longo prazo”, comenta Lima. Já Andrade, da Petrobras Distribuidora, considera que ainda não é o momento para aderir a essas soluções. “Para o volume atual de biodiesel (B3) não existe escala para transporte em ferrovias e hidrovias. Quando tivermos o B5 e um número maior de produtores concentrados no Mato Grosso, pode ser que a ferrovia até Cuiabá ou Porto Velho seja uma alternativa viável”, diz.

O transporte por meio dos trilhos também não resolveria em definitivo o problema logístico do biodiesel na opinião de Augusto Marinho, que trabalha na área de biodiesel da União Corretora, empresa que intermedeia a negociação de commodities agrícolas, uma vez que não aliviria os custos de frete. Marinho considera que a frota de caminhões do Brasil deveria ser renovada e isso deve demorar um pouco para acontecer, pois o tipo de caminhão que carrega biodiesel não pode ser preparado do dia para a noite. “A frota do país está sucateada. E isso é um problema quando se tem uma lei que prevê uma megamulta se cair uma gota de óleo no chão”.


Matéria-prima

A questão atinge não só a distribuição do biodiesel pronto, mas também o transporte da matéria-prima para as usinas. Para Marinho, o navio é uma alternativa interessante. A União Corretora já intermediou o transporte de 160 mil toneladas de óleo para a produção do biodiesel. “É mais rápido e mais barato”, diz. Chega a cair pela metade o preço, se comparado com o frete cobrado por caminhão, informa Gleno More, coordenador da área de biodiesel da corretora. Mas trata-se de um esquema difícil de ser adotado pela maioria das usinas, já que se exige um volume mínimo de carga a ser embarcada e o pagamento precisa ser feito à vista – valor que pode chegar, por exemplo, a US$ 10 milhões. Aí entra o papel da corretora para ajudar na intermediação desse tipo de negócio, pois ela poderia juntar três ou quatro clientes que conseguissem totalizar o volume mínimo exigido, explica Marinho. Fora tudo isso, ainda há um problema extra no transporte marítimo: “A maioria dos portos não está preparado para receber esse tipo de carga, pois não tem tancagem apropriada”.

A Comanche chegou a importar oleaginosas dos Estados Unidos no final do ano passado e considerou a experiência interessante. “Apenas a burocracia normal para liberação da mercadoria no porto atrapalha um pouco, mas tudo dentro do aceitável”, afirma Thiago Lima. “Será um caminho para ajudar na redução de custos”.

Ele cita outro aspecto responsável pelo encarecimento da chegada da matéria-prima à usina: “Uma grande dificuldade é que pequenos produtores rurais ainda não têm produção em larga escala. Com isso, somos obrigados a efetuar coleta em pontos diferentes, impactando nos custos logísticos”. E a compra da matéria-prima diretamente da agricultura familiar é uma exigência para as usinas obterem o Selo Combustível Social.

Lima ainda cita a competição do biodiesel, que é contínua, com os outros produtos sazonais. Distribuidoras de álcool e óleos vegetais concentram esforços para atender a esses dois produtos, e isso atrapalha as usinas de biodiesel tanto no abastecimento de matéria- prima como na distribuição. “A oferta no modal rodoviário não atende a demanda do país nesses períodos. Os fretes em algumas regiões acabam inviabilizando algumas operações comerciais”. Para tentar aliviar essa questão, a Comanche procura sempre ter parceiros logísticos que tenham o compromisso de atuar junto a ela ao longo do ano. E a usina também tenta sempre comprar em modalidade CIF (Cost Insurance Freight), em que a responsabilidade de entregar o produto fica por conta do fornecedor, incluindo os custos do frete e do seguro.