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Transporte: Os nós da logística


BiodieselBR.com - 19 mar 2009 - 14:30 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:04
Para viabilizar um aumento da demanda de biodiesel, ainda é necessário desatar amarras como a falta de infra-estrutura de transportes, o engessamento da entrega, atrasos nos carregamentos e, claro, vencer as enormes distâncias e as diferentes realidades regionais

Maristela do Valle, de São Paulo

O programa brasileiro de biodiesel foi criado com o claro objetivo de diminuir as desigualdades sociais e promover o desenvolvimento nacional através dessa energia renovável. São muitos os discursos do presidente Lula que projetam o Brasil como importante potência energética no cenário mundial. Porém ainda existe um grande problema na cadeia do biodiesel que coloca em risco o sucesso do programa: a logística de produção e de distribuição.

Parte dessa dificuldade é a mesma enfrentada por qualquer outro produto que precisa rodar milhares de quilômetros em um território tão vasto e desprovido de estradas em boas condições e meios de transporte alternativos, como ferroviários e hidroviários. Um caminhão da Petrobras Distribuidora que sai carregado de biodiesel de Mato Grosso rumo ao Terminal de Manaus, por exemplo, demora em média 15 dias para transpor rodovias e balsas até chegar ao seu destino final, segundo o coordenador de Logística de Biocombustíveis da empresa, Guilherme Paiva de Andrade. “O terminal faz a venda para os consumidores finais da região de Manaus e também transfere o produto para o interior do Amazonas e de Roraima, quando então podem ser contados mais 15 dias para o consumo final”. Além do tempo que se perde em uma operação dessas, o preço final do produto, claro, tem um grande impacto. Andrade calcula que chega a ser de 10% a diferença de preço para o consumidor final entre o biodiesel encarecido pela dificuldade de transporte e aquele que tenha rodado menos.

E não dá para distribuir o biodiesel para consumidores mais próximos? Não exatamente, pois os leilões acabam engessando esse processo. “As cotas disponíveis para as distribuidoras são controladas pela Petrobras e pela Refap, o que é bom por um lado porque elas atuam garantindo a entrega do produto. Isso, porém, amarra as distribuidoras aos volumes adquiridos nos leilões”, diz o coordenador. “Dependendo do resultado dos leilões trimestrais, temos os volumes disponibilizados em usinas distantes, ou que não tínhamos o histórico de coletar. Ainda não somos livres para escolher em quais usinas comprar, isso é definido pela cota disponibilizada no leilão”, explica.

Thiago Lima, da área comercial da usina Comanche, dá um exemplo prático relacionado a essa questão: “O frete em muitos leilões não viabiliza a operação. Estamos localizados na região metropolitana de Salvador (BA) e constantemente enviamos biodiesel para Estados como Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, enquanto poderíamos abastecer o próprio Estado da Bahia”. Mas ele está esperançoso: “Desde o último leilão o percentual de entrega para base no próprio Nordeste vem crescendo e isso já ajuda logisticamente”. Ele lembra que é necessária uma atenção em especial nas pontas da cadeia, como incentivos para matéria- prima e redução tributária para empresas de transportes que trabalham com biodiesel.