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Crambe: Uma fonte promissora


BiodieselBR.com - 30 mar 2009 - 14:50 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:57
Boa opção para a safrinha, características agronômicas vantajosas e baixo custo de produção poderão fazer do crambe uma das estrelas do biodiesel em um futuro próximo

Fernanda Guirra, de Goiânia

Quem olha este campo de crambe tomado por charmosas e pequeninas flores brancas jamais imagina que ali surgirão grãos ricos em óleo com potencial para fazer uma verdadeira revolução na produção de biodiesel. Entre todas as oleaginosas que estão sendo pesquisadas atualmente no Brasil para este fim, o crambe vem se revelando como uma das mais promissoras. A verdade é que a planta ainda é uma novata para o setor, mas isso pode mudar com a crescente curiosidade de pesquisadores, agricultores e empresários, que estão avaliando seu desempenho em todo país.

Há inúmeras razões que podem tornar o crambe uma das grandes apostas em 2009. Ele tem baixo custo de plantio, boa produtividade, precocidade de colheita e se apresenta como ótima opção para a safrinha. Além disso, a lavoura é totalmente mecanizada e pode ocupar a mesma área da safra de verão (e ainda usar o mesmo maquinário, com algumas pequenas modificações). Por utilizar áreas agrícolas que ficam ociosas de março a outubro, o potencial de aumento de cultivo é enorme. Para se ter uma idéia, se o crambe fosse plantado apenas nas áreas ociosas de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás – que somam cerca de quatro milhões de hectares de área de cultivo – já seria o suficiente para atender toda a demanda da mistura B4, considerando uma produção de 1.500 quilos por hectare.

Pertencente à família das crucíferas, o crambe é uma planta anual de inverno resistente à seca. A planta é cultivada em pequena escala na Rússia, Nova Zelândia e nos Estados Unidos, mas o Brasil é o primeiro país que estuda a viabilidade do cultivo em grandes áreas voltado à produção de biodiesel. As pesquisas com o crambe tiveram início em 1995, na Fundação MS, localizada em Maracaju (MS), a 180 quilômetros da capital Campo Grande, e foi com o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) que a cultura passou a ter boas perspectivas comerciais em terras brasileiras, segundo o engenheiro agrônomo Carlos Pitol, pesquisador da fundação. Em 2008, explica, foram plantados 2.500 hectares de crambe para a multiplicação de sementes, visando atender à demanda de plantio para o esmagamento de grãos já na safra de 2009.

Aliás, atualmente a Fundação MS é a única autorizada a comercializar sementes de crambe no país, já que a instituição é a responsável pelo desenvolvimento e pela inclusão da variedade FMS Brilhante no Registro Nacional de Cultivares. O coordenador de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Denilson Ferreira, lembra que, respeitando a legislação vigente, qualquer empresa de sementes pode efetuar o registro de novas cultivares de crambe. “A cultura do crambe possuiu um ciclo curto e seu óleo pode ser utilizado para a fabricação de biodiesel, porém sua viabilidade econômica para esse fim ainda não está totalmente definida. São poucas as informações disponíveis sobre a planta e é pequena a produção nacional”, comenta o representante do Mapa, com a característica cautela da instituição. Ele informa que o ministério não possuiu o zoneamento de risco climático do crambe previsto na programação dos próximos anos. “É uma cultura ainda recente e o zoneamento normalmente segue uma escala de prioridades, levando em consideração culturas que ocupam maiores áreas e têm um peso maior na agricultura”, explica.