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Glicerina - Estoque e Soluções


BiodieselBR.com - 04 mar 2007 - 12:48 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:47
No estoque

Com tudo isso, muitos produtores preferem estocar a sua glicerina enquanto podem, para esperar a melhor oportunidade de vender. É o que faz a BSBios, por exemplo. Uma parte da produção de glicerina é vendida para empresas que beneficiam o produto e repassam para a indústria química já purificada. Mas como os preços são baixos, a empresa optou por armazenar parte da produção. “Estamos atentos às oportunidades de comércio dessa glicerina tanto no mercado interno quanto no externo”, afirma Erasmo Battistella, diretor de operações da empresa. A glicerina produzida pela empresa possui 80% de teor de glicerol, o que para Battistella é um diferencial na hora de comercializá-la. “Há glicerinas de todas as qualidades no mercado, mas as com maior grau de pureza encontram melhores condições de venda”, aponta. Mesmo assim, a receita obtida pela empresa com a venda da glicerina é baixa. “Ela é responsável por cerca de 1% do nosso faturamento”, diz.

A estocagem é vista como uma solução até porque o Brasil, hoje, segundo especialistas, não tem capacidade de processar toda a glicerina que está sendo produzida. “Hoje, o parque industrial disponível no Brasil é capaz de processar metade de toda a glicerina que tínhamos na era do B2”, afirma Luiz Pereira Ramos, professor de Química da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Com o B3, a capacidade nacional fica perto de um terço do total produzido.

Soluções

Os problemas estão postos. Mas quais são as soluções possíveis? Elas estão sendo preparadas entre quatro paredes, dentro de alguns dos laboratórios das faculdades mais importantes de química do país. Um exemplo é o que acontece na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Um grupo de pesquisadores está trabalhando duro para dar melhor utilização à glicerina na área de biogás, aditivos e polímeros. Quem explica é o professor Cláudio Mota, do Departamento de Química da instituição. “Nossas pesquisas estão divididas em dois grandes segmentos: desenvolvimento de catalisadores e processos para transformação química da glicerina em insumos para a cadeia de plásticos; e o desenvolvimento de derivados da glicerina, como éteres, acetais, ésteres, carbonato, com potencial de aplicação como aditivos e em química fina”.

A primeira linha tenta chegar ao desenvolvimento do propeno e do ácido acrílico. O propeno, utilizado em inúmeros processos industriais e na produção do polipropileno, é uma das resinas plásticas de maior consumo no país. Grande produção significa grande consumo de matéria-prima. Alguém aí falou em lei da oferta e da procura?

Já os polímeros derivados do ácido acrílico, explica o professor, têm inúmeras aplicações em tintas, adesivos e materiais superabsorventes utilizados em fraldas descartáveis, por exemplo. Detalhe: não existe fábrica no Brasil de produção de ácido acrílico e todos os polímeros derivados dele são importados. “A rota que estamos desenvolvendo envolve a transformação direta de glicerina em ácido acrílico, em uma única etapa, sendo que o processo tradicional, a partir do propeno, utiliza duas etapas reacionais. O processo de produção de propeno a partir da glicerina é totalmente inovador e, até onde sabemos, não há similares no mundo”, diz Cláudio Mota.

Já no desenvolvimento dos aditivos, os professores testam algumas aplicações para os produtos: no laboratório da universidade, por exemplo, têm sido produzidos éteres, ésteres e acetais da glicerina que têm propriedades para mistura em combustíveis. Pesquisas estas que podem ajudar no próprio desenvolvimento do biodiesel nacional. “Um derivado acetal de maior peso foi testado em uma mistura com biodiesel (B100) de sebo e de palma, melhorando as propriedades de fluidez em baixas temperaturas. Outros derivados acetais da glicerina estão sendo testados como antioxidantes”, diz Mota.