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Francisco Barreto: Crise, B5 e Leilões


BiodieselBR - 07 jan 2009 - 12:56 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:14
Francisco Barreto: Crise, B5 e Leilões

Revista BiodieselBR - Será possível o setor de biodiesel tirar algum proveito desta crise financeira mundial?

Francisco Barreto O único proveito é que o mundo está excluindo os antagonistas do biocombustível. Os EUA e os países da Europa já atacaram muito o biocombustível brasileiro. O discurso dos candidatos a presidente dos EUA já foi mais ameno nessas eleições. Ainda é cedo para dizer se será uma oportunidade. O Brasil precisa se antecipar ao processo de diminuição de carbono na atmosfera mais rápido que qualquer outro país do mundo.

Revista BiodieselBR - A escassez de crédito para plantio vai afetar o setor?

Francisco Barreto O problema da cultura de grãos no Brasil não é o problema da falta de dinheiro para plantar, nem dos preços da soja no exterior. O problema é a incapacidade de retorno, pelo alto custo dos insumos agrícolas.

Revista BiodieselBR - O B5 já pode ser implantado no Brasil?

Francisco Barreto Não tem chance. Só para 2010, 2012. Faltam empreendedores e mais engajamento do governo. O B5 está correndo o risco de não se concretizar porque os empresários que tinham entusiasmo para fazer já fizeram e metade deles fizeram mal feito, provocando a desistência de quem estava querendo entrar no mercado. Acabou entrando no ramo quem não tem experiência com indústria, porque tiveram apoio financeiro de graça no primeiro momento. Agora entra o profissionalismo e haverá uma seleção natural.

Revista BiodieselBR - Como o senhor vê as mudanças nas regras dos leilões da ANP? O que ainda precisa ser mudado?

Francisco Barreto
A ANP tinha que mudar a base mínima de preço para os leilões. O preço mínimo precisa estar acima do preço do diesel, porque não dá para comparar com os custos de toda a cadeia produtiva do biodiesel, que são onerosos e difíceis de mensurar. A ANP não tem capacidade técnica para fazer esta avaliação de preço. Eles não levam em conta os custos no campo e na indústria, só avaliam o preço do petróleo versus a necessidade da mistura obrigatória. Como um leilão desses pode ser válido? O preço precisa ser discutido não só dentro da ANP, porque aí vira ditadura, tem que ser discutido junto aos produtores e antes da data de realização do leilão. Eu acho que a ANP não entende nada de álcool e biodiesel. Quem tem que lidar com isso é o Ministério da Agricultura. 99% do pensamento do burocrata de uma agência dessas é petróleo, não biodiesel. Por isso a Ubrabio está equivocada, porque colocou lá dentro um diretor que é ex-funcionário da ANP. Como a entidade, que representa os produtores de biodiesel, vai brigar com a ANP? A agência é extremamente burocrática na hora de regulamentar novas usinas, enquanto deveria se preocupar mais com a qualidade do produto que está saindo das indústrias.