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Óleo de cozinha: Iniciativas


BiodieselBR - 19 jan 2009 - 18:19 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:27

Pioneira

“Os maiores interessados no sucesso desse tipo de projeto são os serviços municipais de tratamento de água e esgoto”, aponta Antonio José da Silva Maciel, da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, doutor em Agronomia e um dos mais importantes articuladores do Programa Biodiesel Urbano – primeira iniciativa a envolver o poder público no uso dos OGRs como matéria-prima para o biodiesel. Mantido pela prefeitura de Indaiatuba (SP) desde outubro de 2005, o Programa Biodiesel Urbano deve sua origem ao desenvolvimento de um catalisador mais eficiente na transformação dos OGRs em biodiesel por Maciel e pelo pesquisador Osvaldo Cândido Lopes. Morador de Indaiatuba, Maciel procurou o atual prefeito da cidade, José Onério, e propôs uma parceria entre Unicamp e prefeitura. A primeira cederia uma planta semi-industrial e transferiria o know-how para a produção de biodiesel e a segunda, através do Serviço Autônomo de Água e Esgotos (Saae), garantiria a infra-estrutura e os recursos necessários ao programa.

Colocar um programa desses em pé não é coisa das mais simples. Coletar o óleo usado é um trabalho de formiguinha que não daria certo sem a boa vontade da população. Para resolver essa dificuldade, Indaiatuba desenvolveu um modelo que funciona com base em doações do óleo usado pelos moradores da cidade. Esse material é coletado através de três vias: postos de coleta para os quais os cidadãos podem levar pequenas quantidades, atividades de arrecadação desenvolvidas pelas escolas (em geral na forma de gincanas) e grandes doadores comercias (atualmente são 130 estabelecimentos). De tempos e tempos, o óleo acumulado nesses pontos é recolhido por funcionários da prefeitura.

Segundo informações repassadas pela assessoria de comunicação do Saae de Indaiatuba, o Programa Biodiesel Urbano arrecada mensalmente sete mil litros de óleo usado que depois de devidamente processados rendem entre cinco e seis mil litros de biodiesel. O biocombustível é então misturado ao diesel comum para dar origem ao B30, que move a frota da prefeitura. A economia é repassada para o Fundo Municipal de Alimentação, Nutrição e Cidadania.

Embora o Programa Biodiesel Urbano esteja num daqueles períodos de ponto morto típicos dos períodos de sucessão governamental, a iniciativa está pronta para reacelerar tão logo o novo prefeito, Reinaldo Nogueira, seja empossado. Já existem conversas bastante adiantadas no sentido de levar o programa para outros municípios da região metropolitana de Campinas.

“A idéia é produzir até 45 mil litros de biodiesel por dia, e para tanto precisaríamos de uma usina maior. No resto, o programa funcionaria praticamente da mesma forma”, diz Maciel. O terreno da nova usina já foi até escolhido pelo Saae, falta ainda o dinheiro (cerca de R$ 5 milhões), pleiteado junto ao governo federal, para a construção das instalações e compra dos equipamentos.


Eco-óleo

A prefeitura de Volta Redonda (RJ) é outra que incentiva o reaproveitamento do óleo de cozinha na produção de biodiesel, embora tenha optado por uma via de ação menos direta. Ao invés dos colegas paulistas que cuidam de absolutamente todas as etapas – da coleta do óleo ao consumo do biodiesel – os fluminenses aproveitaram a oportunidade criada pela instalação de uma usina de biodiesel no município para articular uma associação de reciclagem que coleta e vende o óleo usado, a Ecoóleo.

Fundada em agosto de 2007, a Ecoóleo gera renda para dez associados e já está pensando em expandir os negócios. Mentor intelectual do projeto, o gestor do Banco da Cidadania de Volta Redonda, Ricardo Ballarini, demonstra uma ponta de orgulho ao comentar o sucesso da cria. “O mais interessante é a forma com que a sociedade acabou tomando posse do projeto. A Eco-óleo tem atraído tantos parceiros que não está dando conta de coletar todo o óleo”, comemora.

O modelo de negócios da Ecoóleo tem uma sutileza que reforça o apelo público. Todo o óleo do programa é coletado por intermédio de uma das quase 130 escolas cadastradas que recebem R$ 0,20 por litro – todos os outros parceiros do programa devem fazer suas doações em nome de uma escola. Na ponta do lápis, os 150 mil litros de óleo recolhidos até hoje geraram um caixa adicional de R$ 30 mil para as escolas participantes (pouco mais de R$ 230 por unidade). “É um dinheirinho pequeno, mas que está livre para o diretor usar como quiser”, informa Ballarini.