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Zoneamento Agrícola: Oleaginosas na fila


BiodieselBR - 27 jan 2009 - 15:11 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 10:29
Zoneamento Agrícola: Para não colher prejuízos - Oleaginosas na fila

Para as oleaginosas, o governo preparou um pacote que incluirá pelo menos 42 cultivares até 2011. Como a oferta de crédito vem na esteira do mapeamento das matérias-primas, o Banco do Brasil deve estar preparado para acolher os novos produtores. “Só recebe crédito quem seguir as recomendações do zoneamento”, diz Fábio Marins, engenheiro da Embrapa Informática Agropecuária. Segundo ele, não há dificuldade alguma em se obter crédito para o plantio. “O problema está na obtenção de recursos para pesquisas, que possibilitem aumentar o número de cultivares dentro dos programas. Essa tem sido a queixa também de produtores”, comentou. Exemplo disso é a ausência da cultura do pinhão-manso nos programas em andamento. Há pouca informação a respeito da matéria-prima. No entanto, o próprio MAPA argumenta que isso não significa que ela ficará de fora do zoneamento por muito tempo. Um dos problemas que mantém a cultura ainda distante do mapeamento é o caráter perene da planta, que exige mais tempo para consolidação das pesquisas, iniciadas tardiamente.

No inicio de 2008, o MAPA autorizou a inscrição do pinhãomanso no Registro Nacional de Cultivares (RNC). No entanto, como o período ideal de plantio para a maior parte do Brasil é de outubro a dezembro, houve atraso em vários projetos de plantio. “O pinhão-manso é uma cultura que não apresenta tradição de plantio no país e cujas pesquisas ainda encontram- se em fase embrionária, não sendo possível, de imediato, a divulgação de zoneamento de risco climático”, comenta o coordenador técnico da Associação das Cooperativas de Apoio e Economia Familiar (Ascoob), Clodoaldo Jorge. Os procedimentos para que os órgãos oficiais recomendem uma cultura perene (como o pinhão-manso) exigem anos de pesquisa em variadas regiões com clima e solo diferentes. A pesquisa que levará à indicação de uma matéria-prima dura, em média, mais de quatro anos. Só depois de concluído o levantamento de todo o sistema de produção é que o cultivo passa a fazer parte do zoneamento.

Ao longo das safras, a Ascoob vem realizando vários debates a respeito do plantio e da viabilização de cultivares para a produção de biodiesel – isso inclui a mamona, o girassol, o dendê e outras matérias-primas. Apesar das tentativas, ainda é pouca a participação dos agricultores familiares cadastrados na produção de oleaginosas. No caso da mamona, a recomendação técnica feita aos produtores associados é que façam o financiamento consorciado com outras culturas, como feijão e milho, garantindo a segurança alimentar e produção no período de desenvolvimento da planta.

Na safra 2007/2008, por exemplo, foram feitos alguns contratos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), modalidade C, para o plantio da cultura no município de Baixa Grande (BA). “Temos encontrado dificuldades com relação ao zoneamento, pois muitos municípios estão de fora e os contratos só podem ser efetivados nos municípios de abrangência do zoneamento agrícola”, comentou o coordenador.