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Miguel Rossetto: Desafios para garantir matéria-prima


BiodieselBR - 04 nov 2007 - 15:15 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:01
Revista BiodieselBR Quais são os desafios que a empresa enfrenta para garantir a matéria-prima para as usinas?

Miguel Rossetto Organizar e estimular o arranjo produtivo que hoje é inexistente nas regiões onde as nossas fábricas estão instaladas. Esse é o grande desafio. Estimular a organização de arranjos produtivos que permitam que essa renda da aquisição da matéria-prima fique na região, fique com os agricultores familiares, estimule o desenvolvimento local.

Revista BiodieselBR Qual a estratégia da Petrobras para enfrentar esse desafio?

Miguel Rossetto Vamos enfrentá-lo com diálogo com os movimentos sociais, com todas as cooperativas de produtores. Vamos fazer um diálogo institucional muito forte frente às carências da região. É muito importante a cooperação com a prefeitura e órgãos federais. Vamos dar apoio técnico, estimular pesquisas. Por exemplo, a expectativa é muito grande em relação ao girassol. Por quê? Porque é um grande fornecedor de óleos e de proteína vegetal para ração animal. Isso é muito importante no arranjo produtivo.

Revista BiodieselBR Quando o senhor foi ministro do desenvolvimento agrário promoveu um diálogo grande com o MST e outros movimentos sociais. Esse diálogo vai se transferir para o seu trabalho na Petrobras Biocombustíveis?

Miguel Rossetto
Estou muito animado porque todos os movimentos sociais, os movimentos de produção e suas cooperativas têm demonstrado um grande interesse em participar do programa.

Revista BiodieselBR A Petrobras vai contratar produtores de áreas de assentamento?

Miguel Rossetto Exatamente. Pequenos produtores, assentados da reforma agrária. Essa é a base do programa. E percebo um entusiasmo muito grande para participar do programa. Acho que é uma compreensão clara de que o biodiesel tem um sentido estratégico de geração de renda muito forte. O Brasil tem uma qualidade distinta em seu programa de biodiesel que o diferencia dos programas de outros países. Aqui, além da questão ambiental, econômica e energética o biodiesel também incorpora essa dimensão de inclusão social pelo trabalho e distribuição de renda no campo. Isso é um grande diferencial.

Revista BiodieselBR
O senhor antecipa algum ajuste que considera necessário ao programa Selo Social?

Miguel Rossetto
Os números estão mostrando que há uma alteração de cenário frente ao período de constituição do programa nacional, que basicamente trabalhava com uma idéia de apoio federal com redução de PIS e Cofins. Penso que a realidade econômica vai indicar a readequação do apoio público.

Revista BiodieselBR
O senhor defende mais subsídios para a produção de biodiesel então?

Miguel Rossetto Estamos fechando nossos números e as informações que temos de outras empresas da região devem indicar a necessidade de ampliar o apoio público a este programa no Nordeste e Norte. O marco regulatório é um programa muito novo. A obrigatoriedade ainda não completou um ano e já é um sucesso. É um programa de sucesso porque o país, numa mobilização extraordinária, em três anos mudou o perfil da sua matriz de combustíveis. Isso mostra o sucesso do programa e a capacidade extraordinária de resposta que o país tem demonstrado. O Ministério do Desenvolvimento Agrário abriu um processo público de consultas para adequação da instrução normativa. E nós vamos colaborar sim para a melhoria das regras a partir da experiência que estamos desenvolvendo.

Revista BiodieselBR
A Petrobras gastou R$ 100 milhões na construção da usina de Candeias. Isso não seria suficiente para construir três usinas do mesmo porte?

Miguel Rossetto
Todo o investimento nas nossas fábricas é compatível com o padrão de exigência tecnológica e de segurança da Petrobras. Temos exigências tecnológicas, operacionais e em matéria de segurança que nos diferenciam. Por isso os investimentos são superiores.

Revista BiodieselBR
O senhor acredita que há espaço para a ANP flexibilizar a venda de biodiesel?
Miguel Rossetto Acho que temos uma meta muito sólida de expansão à medida que a legislação estabelece o B5 para 2013. É essa meta que vai orientar os investidores. E nesse período teremos grandes avanços tecnológicos em todo o programa, seja no aumento de produtividade nas oleaginosas, seja na utilização de novas oleaginosas como o pinhão- manso. Isso tudo vai significar redução de custo de produção, de processamento. Teremos seguramente ganhos em relação à otimização dos processos de transterificação.