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Mamona: Nobre desaparecida


BiodieselBR - 06 nov 2008 - 18:39 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:03
Festejada como a principal aposta do governo, a mamona sumiu do mercado de produção de biodiesel

Por Rosiane Correia de Freitas, de Curitiba


A mamona ganhou notoriedade em 2006, quando o presidente Luis Inácio Lula da Silva ofereceu a semente ao governador do Paraná, Roberto Requião. Lula queria mostrar ao colega paranaense a principal aposta do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), que seria lançado naquele dia. O paranaense não teve dúvidas, mordeu com vontade a semente diante do ar constrangido do presidente. A mamona, como se sabe, é tóxica, e como resultado Requião teve que cuspi-la em rede nacional de televisão.

Desde então, a semente da mamoneira não saiu dos noticiários. Primeiro como grande promessa e agora como fonte de desapontamento de produtores rurais, usinas e técnicos do governo. Apesar do falatório constante em torno da mamona, biodiesel nenhum tem sido produzido a partir dela. É o que mostram dados do Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a participação de cada matéria- prima na produção do biocombustível. A semente começou o ano com a pífia participação de 0,20%, mas nos meses seguintes simplesmente desapareceu.

“O custo do óleo produzido por hectare é superior ao da soja, o que torna a mamona pouco interessante para o biodiesel”, diagnostica Angelo Savy Filho, pesquisador do Centro de Grãos, Fibras e Oleaginosas do Instituto Agronômico (IAC). Na realidade, o óleo de mamona sempre foi um produto valorizado. Com a demanda criada pelo biodiesel, os preços subiram ainda mais. “Há um rendimento muito baixo entre as cultivares utilizadas no Brasil, o que encarece a produção”, aponta.

“E este ano a produção ainda foi prejudicada por problemas climáticos na Bahia”, conta Savy. Com tantos reveses, o Brasil acabou tendo que importar o óleo para atender ao mercado da ricinoquímica, informa o pesquisador. O próprio governo admite que, mesmo com o incentivo do PNPB, a área ocupada pela cultura continua a mesma. “Não houve incremento significativo de área cultivada com mamona desde o lançamento do programa”, afirma Rodrigo Augusto Rodrigues, coordenador da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel.

Enquanto isso, além da demanda criada pelo PNPB, a mamona também está em alta no mercado internacional. “Com o aumento do petróleo, cresce a procura pelo óleo na área de produção de lubrificantes específicos para a aviação, por exemplo”, diz Savy. Segundo o pesquisador, o sumiço da mamona não era imprevisível. “Era esperado já que a produção é insignificante;” E recomenda: “o Brasil precisa investir em pesquisas para que a mamona tenha uma produtividade maior.” “Produzir 600 quilos por hectare é inviável”, afirma.

Participação das matérias-primas na produção de biodiesel