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Perfil da indústria: Biopar - Matérias-Primas


BiodieselBR - 29 nov 2008 - 06:11 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 11:05

Óleo vegetal e gordura animal são as matérias-primas utilizadas em partes iguais para a fabricação do biodiesel da Biopar. O óleo é derivado da soja, comprado direto de esmagadoras. O produto animal é adquirido de frigoríficos e abatedouros, que fornecem o sebo bovino e a graxa suína. “Também chegamos a utilizar uma pequena parcela de óleo de frango.” A indústria não desistiu de se aliar a agricultores para a compra da soja em grão. Alguns contatos começaram a ser feitos e poderão se concretizar em 2009. O diretor adianta que nesse caso “a Biopar poderá também processar o grão para produção de óleo e farelo.”

Como integrante de um grupo de estudos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), que reúne parceiros como Instituto Emater, Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a usina está alinhada com trabalhos de pesquisa sobre novas possibilidades vegetais para extração do biodiesel. “Fala-se muito do girassol, do nabo forrageiro e outras culturas. Temos que aguardar”, avalia.

Localização estratégica

A cidade de Rolândia não foi escolhida por acaso para abrigar o empreendimento. Além de ser a terra natal dos sócios, a empresa pode ser implantada no que era uma indústria inativa com estrutura formada, arrendada por muitos anos para os novos projetos. “Outra vantagem é que a linha ferroviária passa dentro da empresa. Além de tudo, a região (próxima a Londrina e Maringá) é industrializada, tem oferta de todo tipo de transportes e está na rota de Paranaguá. Sem falar que é um pólo forte na agricultura para podermos concretizar as futuras parcerias”, lista o diretor industrial da Biopar.

Desafios

Apesar dos planos otimistas, nas palavras de Tomazella fica evidente uma leve desconfiança com o futuro. “Queremos ver a evolução do biodiesel”, diz. “Esperamos que ele seja economicamente viável, como já se mostrou no processo industrial.” O diretor avalia que o setor produtivo da usina está bem ajustado, mas a parte financeira está sendo melhor analisada.

A conseqüência prática dessa reflexão é que os sócios da Biopar nem falam neste momento em recuperação de investimentos. “O primeiro ponto é ter seqüência de produção. Costumamos brincar que esta é uma indústria que roda noventa dias no ano. Precisamos alcançar a estabilidade, de uma indústria que rode cento e vinte, cento e oitenta dias, ou quem sabe um ano, para termos segurança no setor”. É que os leilões da ANP garantem a venda do produto em contratos de três meses.

A tão desejada seqüência de produção deve ser tornar realidade em breve para a Biopar, uma vez que a indústria conseguiu vender cinco milhões de litros de biodiesel no 11º leilão da ANP e garantiu a operação de suas máquinas em operação até o fim do ano. Depois, só se houver nova comercialização em futuros leilões. De acordo com o industrial, no mercado interno, o leilão ainda é necessário. “O mercado não saberia trabalhar com a venda direta”, profetiza. “Talvez no futuro, tal como foi no passado a evolução do processo com o etanol, que também começou com os leilões”, avalia.

Mas essa modalidade de venda nem sempre é vista com bons olhos. “No início do programa participamos de três leilões e não vendemos por causa do preço. Só no quarto houve uma condição mais favorável e decidimos fechar negócio.” Nas contas da Biopar, um dos pontos negativos é o custo da matéria-prima. “O preço subiu muito e a venda pode ser arriscada. No fechamento do contrato a soja, por exemplo, pode estar em baixa. Só que na hora de começar a produção, a compra pode ser um prejuízo, principalmente se acontecer em tempos de entressafra e houver uma supervalorização da commodity”.